Pregadora que pediu para fiéis não postarem 'coisa de gente preta, de gay' falta a depoimento, no RJ

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RIO - A pregadora Karla Cordeiro, de 41 anos, não compareceu ao depoimento marcado para esta terça-feira, na delegacia de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio. Conhecida como Kakau, ela causou revolta ao aparecer em um vídeo no qual dá declarações consideradas racistas e homofóbicas.

As imagens que viralizaram nas redes sociais mostram Kakau a criticar fiéis que defendem causas sociais, raciais e LGBTQIA+. A pregadora classifica como "vergonha" os símbolos dessas lutas e sustenta que apenas Jesus Cristo "é a nossa bandeira".

- Para de querer ficar postando coisa de gente preta, de gay, para! Posta palavra de Deus que transforma vidas. Vira crente, se transforma, se converta - afirma Kakau, no vídeo, em pregação na Igreja Sara Nossa Terra.

Procurada, a Igreja Sara Nossa Terra não se manifestou até a publicação da reportagem.

Investigação

O delegado titular da 151ª DP, Henrique Pessoa, instaurou um inquérito policial para investigar se houve crime de intolerância racial e homofóbica no discurso de Kakau. Pessoa havia convocado a investigada para depor nesta terça-feira, mas ela não compareceu.

De acordo com o delegado, o advogado de Kakau solicitou o adiamento com a justificativa de que a pregadora estaria na cidade do Rio de Janeiro, na data marcada. O pedido foi deferido "para que não aleguem perseguição", explicou Pessoa. O depoimento foi reagendado para quinta-feira.

Kakau se manifestou sobre o vídeo nesta terça-feira. A pregadora justificou que foi "infeliz nas palavras", que não tem preconceito e que seu objetivo era reforçar a "necessidade de focarmos em Jesus Cristo e reproduzirmos seus ensinamentos".

- Eu, na verdade, fui infeliz nas palavras escolhidas e quero afirmar que não possuo nenhum tipo de preconceito contra pessoas de outras raças, inclusive meu próprio pastor é negro, e nem contra pessoas com orientações sexuais diferentes da minha, pois sou próxima de várias pessoas que fazem parte do movimento LGBTQIA+ - afirmou, em nota de retratação.

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