Prejuízos causados por furacões na Guatemala superam US$ 640 milhões

Edgar CALDERÓN, con Moisés AVILA en Panamá
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Um grupo de pessoas se desloca de barco por uma rua inundada na comunidade indígena Campur, Guatemala, em 10 de dezembro de 2020.

Os danos causados pelos furacões Eta e Iota, que atingiram a América Central em novembro, podem ultrapassar 640 milhões de dólares na Guatemala, estimou a secretária de Planejamento e Programação (Segeplan), Keila Gramajo.

“Minhas estimativas são de que ultrapassaremos 5 bilhões de quetzais (cerca de 640 milhões de dólares) em danos totais. Não é só o que foi danificado, mas também o que não foi faturado”, explicou o funcionário em entrevista à AFP.

Gramajo especificou que essas são estimativas muito preliminares, portanto os valores podem ser aumentados quando a consolidação for feita.

O setor habitacional foi o mais afetado, especialmente nos departamentos de Alta Verapaz, Izabal, Petén, Huehuetenango e Quiché (norte do país), que representam 50% dos danos em termos econômicos. “Outro setor afetado é a agricultura. Nosso país é dependente (dessa atividade), e aqui os prejuízos são de 1.200 bilhão de quetzais (mais de 154 milhões de dólares)”, explicou Gramajo.

Os cálculos incluem não só os danos a casas ou estradas, mas também em nível social, como os custos de deslocamento da população, que deve utilizar vias alternativas devido aos deslizamentos. "Ainda temos que contabilizar os danos à ponte", disse ele.

Com a experiência em avaliação de danos após o devastador Furacão Mitch em 1998, a Guatemala utiliza para seus cálculos a metodologia fornecida pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e aplicada em diversos países do continente.

- Ajustando o orçamento-

Em novembro, o Eta e o Iota causaram dezenas de mortes e desaparecimentos na América Central, além de milhões de perdas econômicas.

Na Guatemala, as autoridades registraram oficialmente cerca de 150 mortes ou desaparecimentos devido aos fenômenos naturais e o estado de calamidade se mantém em 10 dos 22 departamentos do país. Gramajo explicou que ainda precisam ser feitas estimativas nos "subsetores de saúde, turismo, comércio e agroindústria e eletricidade".

Essa situação ocorre em tempos de crise política na Guatemala, que obrigou o governo a cancelar o orçamento de 2021, em meio a críticas por não incluir os problemas mais importantes do país. A Guatemala, com 17 milhões de habitantes, tem mais da metade de sua população vivendo na pobreza.

Para financiar a reconstrução, "teremos que fazer ajustes orçamentários, porque não temos mais recursos. Recebemos ofertas do Banco Centro-Americano (Cabei)", disse Gramajo.

- Recorrer ao Fundo Verde-

O Secretário de Planejamento também lembrou que o presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei, e seu colega hondurenho, Juan Orlando Hernández, pediram que a América Central se posicione como a região mais vulnerável às mudanças climáticas e tenha acesso a novos canais de financiamento.

“Fala-se nos abundantes fluxos de financiamento do Fundo Verde para o Clima (da ONU), mas países como o nosso, a Guatemala, não os viram, devido às complicações no acesso aos fundos”, explicou. “Pedimos ao Banco (Cabei) que se torne o gestor de nossos países perante o Fundo Verde para o Clima e outros”, considerou.

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