Prejuízo da Previdência com fraudes em dez anos daria para construir mais de 1000 escolas

Janaína Farias/Semed

Em dez anos (2006 a 2016), a Previdência Social perdeu R$ 3,2 bilhões com benefícios indevidos. Se considerar desde 2003, o valor salta para R$ 4,8 bilhões. Somente para comparar quanto daria para fazer com essa dinheirama toda, podemos avaliar quantas unidades de escolas, creches e hospitais poderiam ser construídas.

Ao custo de R$ 2,1 milhões, dariam para ser feitas 1.523 escolas. Pelo menos foi esse o valor da obra para uma unidade no Assentamento Vila Sadia, a 70 km de Cáceres (MT), onde irá atender a 450 alunos do Ensino Fundamental e Médio.

Já o governo estadual do Mato Grosso lançou edital para licitação da construção de uma nova escola em Cuiabá por R$ 8 milhões. A obra irá beneficiar 1,5 mil alunos. Com o valor perdido devido às falsificações dariam para fazer mais 400 iguais a esta.

Em São Paulo, o Centro Educacional Integrado (CEU) de Heliópolis tem capacidade de receber 120 mil pessoas. Ao todo foi investido na obra R$ 29,4 milhões. O prejuízo da Previdência de 2006 a 2016 com fraudes poderiam render 108 projetos destes.

Dariam para fazer também mil creches com o montante de R$ 3,2 bilhões perdidos. Pelo menos em Mogi das Cruzes (SP), onde foi inaugurada uma unidade no Novo Horizonte com capacidade para atender 150 crianças, com idade a partir dos quatro meses. O investimento foi de R$ 3,2 milhões.

Em São Bernardo (SP) foi inaugurada uma creche para mais de 350 crianças na faixa etária de zero a três anos com investimento de R$ 4,2 milhões. Com o rombo que a Previdência teve daria para construir 762 unidades iguais.

Pela saúde, o valor renderia 80 hospitais semelhantes ao que o governo estadual da Bahia inaugurou em Salvador especializado no atendimento da mulher, com 136 leitos por R$ 40 milhões.

O Hospital dos Estivadores, em Santos (SP), com pelo menos 160 leitos, custou R$ 46 milhões para a construção e outros R$ 12 milhões para complemento de estrutura, como elevador, ar-condicionado e ventiladores. Então, poderiam ser feitos mais 55 semelhantes com o montante.

Já São Paulo tem em construção dois hospitais orçados em R$ 354 milhões com expectativa de beneficiar 2,2 milhões de moradores. Com o rombo que a Previdência somou no período daria para construir mais 18 hospitais iguais.

Balanço

Em 2016, a Previdência Social teve um gasto médio mensal de R$ 42,9 bilhões com o pagamento de benefícios para 33,7 milhões de segurados. Enquanto a arrecadação média foi de R$ 30,3 bilhões, isto é, um valor 30% inferior ao que deveria ser recolhido para manter as contas no azul.

O Regime Geral de Previdência Social registrou déficit de R$ 149,7 bilhões, 74,5% a mais do que em 2015, sendo a maior parte referente ao setor rural (R$ 105 bilhões).

A despesa com benefícios cresceu 6,6%, enquanto a arrecadação caiu 6,4% na comparação com 2015. Uma parte deste rombo também pode ser explicada pelo prejuízo com fraudes, que foi de R$ 137 milhões. Mas, segundo a Força-Tarefa Previdenciária, composta pela Previdência Social, Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, este valor poderia atingir R$ 293 milhões caso as falsificações tivessem passado ilesas por 48 operações de fiscalização, que resultaram em mais de 800 mandados judiciais.

Por Daiane Brito