Polícia britânica investiga entorno de autor de atentado em Westminster

(Corrige título).

Patricia Rodríguez.

Londres, 24 mar (EFE).- A polícia do Reino Unido está interrogando nove pessoas nesta sexta-feira como parte da investigação sobre o entorno de Khalid Masood, o autor do ataque em Londres que nasceu sob o nome de Adrian Russell Ajao e sobre quem pesa um longo histórico delitivo.

O homem que semeou o pânico na quarta-feira em Westminster, a sede do parlamento britânico, tinha 52 anos, nasceu em Kent, no sudeste da Inglaterra, e utilizou diferentes nomes, o último deles Khalid Masood.

O histórico criminal do agressor, conhecido pelo serviço secreto britânico, embora nunca vinculado ao terrorismo, remonta ao ano de 1983, e inclui posse de armas de fogo e agressões, de acordo com a imprensa local.

Em declaração hoje aos veículos de imprensa, o chefe da unidade antiterrorista da Scotland Yard, Mark Rowley, confirmou o nome original do agressor e indicou que outras duas pessoas foram presas em relação com o ataque, elevando o número de detidos para nove.

A investigação se concentra em entender "a motivação e a preparação" de Masood para realizar o atentado, e quem possivelmente se associou a ele, explicou Rowley, que também tenta determinar se ele agiu sozinho, se foi inspirado por propaganda terrorista ou se contou com a ajuda de terceiros.

"Queremos ouvir qualquer um que conhecesse Khalid Masood bem, que saiba quem eram seus associados e possa nos oferecer informação sobre os lugares que ele visitou recentemente", disse o chefe da unidade antiterrorista.

A Scotland Yard também defendeu que os dispositivos de segurança que protegem o parlamento são "proporcionais" frente aos que questionam agora que o acesso ao Palácio de Westminster constitui um ponto fraco, pois o portão permanece aberto durante a maior parte do dia.

"Os atuais dispositivos de segurança foram desenvolvidos ao longo de muitos anos pelo parlamento e estão elaborados para proporcionar o acesso (ao edifício) em equilibro com uma segurança proporcionada, mas não intrusiva demais", explicou o policial.

A imprensa local, por sua vez, revelou vários aspectos da vida pessoal de Masood, que utilizou diversos nomes durante sua vida.

Além de Khalid Masood, o agressor utilizou os nomes de Adrian Elms e Khalid Choudry, era filho de mãe solteira, residiu em lugares como West Midland, Londres, Sussex e Luton, e tinha esposa e três filhos.

Na quarta-feira, sob a identidade de Masood, o agressor lançou seu veículo contra vários transeuntes que atravessavam a ponte de Westminster, deixando um rastro de feridos em sua passagem. Em seguida, bateu com o carro contra a cerca que envolve o parlamento.

O agressor abandonou o automóvel e correu em direção ao edifício parlamentar, onde esfaqueou e matou o policial Keith Palmer, mas acabou abatido logo em seguida pelos disparos de outros agentes.

Além disso, os meios de comunicação britânicos revelaram que o agressor tinha trabalhado como professor de inglês e se anunciava como "britânico, amigável e acessível", apesar de seu passado de violência, que, em algum momento, o levou a passar algumas temporadas na prisão.

O tabloide "The Sun" revelou que Masood se casou em 2004 com a muçulmana Farzana Malik "e sua vida mudou dramaticamente", apesar de não ter ficado claro se sua conversão aconteceu naquela época ou mais tarde.

Alguns vizinhos do agressor falaram também de sua personalidade "em transformação", que se tornava "diabólica" ao discutir religião.

Horas antes de cometer o atentado, o terrorista deixou um hotel em Brighton, no sul da Inglaterra. O gerente do estabelecimento, Sabeur Toumi, se lembra do agressor, "rindo, brincando e sendo educado", antes de pagar pelo quarto e deixar o recinto.

A Polícia Metropolitana de Londres (Met) indicou que foram feitas buscas em cinco propriedades, que realizou diligências em outras 16, e que o número de material apreendido chega a 2.700 objetos.

O atentado resultou em quatro mortes, depois que um homem de 75 anos faleceu ontem à noite no hospital, identificado como Leslie Rhodes, do bairro de Streatham, no sul de Londres.

No total, 50 pessoas ficaram feridas no ataque, das quais 31 foram atendidas no hospital, e duas seguem em estado crítico, de acordo com as últimas informações.

Como parte da investigação, os agentes falaram com 3.500 testemunhas, entre elas mil pessoas que estavam na ponte de Westminster e 2.500 diante do Palácio de Westminster.

Além do homem de 75 anos, o agressor matou o policial Keith Palmer, de 48 anos; a mulher de origem espanhola Aysha Frade, de 43, e o turista americano Kurt Cochran, de 54. EFE