Premiê Boris Johnson assina histórico acordo pós-Brexit com UE

Anna CUENCA en Londres y Aldo GAMBOA en Bruselas
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Ursula von der Leyen (à esquerda) e Charles Michel posam com cópias do acordo comercial pós-Brexit com o Reino Unido, em 30 de dezembro de 2020 em Bruxelas

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson assinou, nesta quarta-feira (30), um acordo comercial pós-Brexit com a União Europeia (UE), referindo-se ao início de um "relacionamento maravilhoso" pelo Canal da Mancha.

"É um excelente negócio para este país, mas também para nossos amigos e parceiros", declarou Boris na assinatura, em Downing Street, depois da assinatura, por parte dos chefes da UE Ursula von der Leyen e Charles Michel, do Acordo de Comércio e Cooperação, de 1.246 páginas.

O texto que inscreve o acordo comercial na lei britânica foi aprovado por 521 votos a 73 na Câmara dos Comuns antes de ir para a Câmara dos Lordes, que também deve votar durante a tarde. Qualquer eventual emenda por estes deve ser confirmada pelos deputados antes de ser assinada pela Rainha Elizabeth II.

"Com esta lei, seremos um vizinho amigável, o melhor amigo e aliado que a UE pode ter", disse o primeiro-ministro britânico Boris Johnson na frente dos deputados.

Alcançado de última hora em 24 de dezembro, uma semana antes do fim do período de transição pós-Brexit, o tratado de livre comércio entre o Reino Unido e os 27 entrará em vigor em 31 de dezembro às 20h00 de Brasília (meia-noite na Europa continental).

Um dia antes, os presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, Charles Michel, assinaram este texto de mais de 1.200 páginas numa curta cerimônia em Bruxelas.

Graças à sua esmagadora maioria parlamentar e ao apoio da oposição trabalhista, Johnson teve a garantia de sua aprovação.

- “Desejo soberano do povo britânico" -

"Trabalharemos com os 27 de mãos dadas sempre que nossos valores e interesses coincidirem, enquanto se cumpre o desejo soberano do povo britânico de viver sob suas próprias leis soberanas feitas pelo seu próprio Parlamento soberano", assegurou o primeiro-ministro.

Quatro anos e meio após o referendo de junho de 2016 em que 52% dos britânicos votaram para encerrar quase cinco décadas de integração na UE, o país sai na quinta-feira definitivamente do mercado único e da união alfandegária, após ter abandonado oficialmente o bloco em 31 de janeiro deste ano.

Segundo uma pesquisa da YouGov publicada nesta quarta-feira, 17% dos britânicos considera o novo acordo como bom, 21% como ruim e 31% nem um, nem outro. No entanto, somente 9% considera que é preciso rejeitá-lo.

O texto do acordo, encadernado em couro, foi transportado pela Força Aérea Britânica de Bruxelas a Londres para ser assinado nesta quarta-feira por Johnson em Downing Street.

- Ratificação -

Após meses de tensas negociações, que várias vezes ameaçaram entrar em colapso, o tratado de livre comércio pós-Brexit foi recebido com alívio pelas autoridades britânicas e pelos líderes da UE.

"Foi um longo caminho. É o momento de deixar para trás o Brexit. Nosso futuro se constrói na Europa", tuitou Von der Leyen após assinar o documento.

Constitui "um acordo justo e equilibrado que preserva os interesses da UE e cria estabilidade e previsibilidade para cidadãos e empresas", afirmou por sua vez Charles Michel, acrescentando que a UE estará sempre "pronta para trabalhar de mãos dadas" com o Reino Unido em assuntos de interesse comum, como ações contra a mudança climática ou a resposta à pandemia de coronavírus.

Ao contrário da rápida aprovação do Parlamento britânico, o Parlamento Europeu não se reunirá para ratificar o tratado até o final de fevereiro, já que o texto entrará em vigor de forma provisória em 1º de janeiro.

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