Premiê britânico quer impedir entrada de variante brasileira do coronavírus no Reino Unido

O Globo e com NYT
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LONDRES - O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse nesta quarta-feira que seu governo procura "maneiras de impedir" que uma variante do novo coronavírus encontrado no Brasil entre no Reino Unido. Mais pessoas morreram no Reino Unido em 2020 do que em qualquer ano do último século, ultrapassando até o número da pandemia de 1918, segundo relatou a agência de estatísticas do governo na terça-feira (12).

Enquanto uma nova e mais contagiosa variante do vírus continua assolando a Grã-Bretanha — estima-se que uma em cada 30 pessoas em Londres estejam infectadas —, os hospitais estão quase transbordando, enquanto as autoridades se esforçam para convencer a população da urgência do momento.

“Estamos preocupados com a nova variante brasileira. E estamos tomando providências (para proteger o país) em relação à variante brasileira. Acho que é justo dizer que ainda temos muitas dúvidas sobre essa variante ", disse ele a um comitê parlamentar.

Trabalhos de sequenciamento genético do novo coronavírus conduzidos pela Fiocruz Amazônia indicam que esta nova linhagem do Sars-CoV-2, identificada em japoneses que estiveram no Amazonas, é inédita, tem origem no estado e pode ser mais infecciosa do que as demais que circulam no Brasil.

Em entrevista ao portal UOL, o pesquisador da instituição Felipe Naveca afirmou que a variante, identificada como B.1.1.28, sofreu uma série de mutações na chamada proteína spike, responsável pela infecção do patógeno nas células humanas.

De acordo com Naveca, as alterações identificadas no Japão foram comparadas com sequenciamentos de variantes identificadas no Amazonas entre abril e dezembro. A B.1.1.28 é a mais recorrente nesse período, identificada em 47% das amostras, mas há mudanças expressivas. O pesquisador afirma que há semelhanças com as variantes identificadas no Reino Unido e na África do Sul, mas sublinha que as mutações trazem indícios de que se trata de uma variação brasileira.

O pesquisador da Fiocruz Amazônia relatou ainda que uma pesquisa independente conduzida pela parceria entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Oxford (Reino Unido) chegou às mesmas conclusões "simultaneamente". A definição em torno de uma nova variante brasileira, no entanto, depende de curadoria internacional e de estudos mais aprofundados, ainda segundo Naveca.