Premiê do Canadá pode perder em menos de uma semana eleição que ele mesmo convocou

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Premiê canadense, Justin Trudeau
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Por Steve Scherer e David Ljunggren

VANCOUVER (Reuters) - O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, esperava garantir uma maioria no Parlamento ao antecipar uma eleição, mas uma campanha morna e uma revolta pública contra uma votação em plena pandemia estão ameaçando suas chances de vitória.

No poder desde 2015, Trudeau decidiu apostar em uma eleição antecipada e capitalizar a maneira como seu governo lida com a pandemia, o que inclui gastos maciços para apoiar indivíduos e negócios e taxas altas de vacinação.

Mas a menos de uma semana do pleito de 20 de setembro, o Partido Liberal de Trudeau não está nem perto dos 38% de apoio público necessários para uma maioria e pode até perder para os conservadores, comandados pelo relativamente desconhecido Erin O'Toole.

Fontes internas culpam o que classificam como uma campanha inicialmente pouco energética e a bagagem política inevitável que Trudeau, de 49 anos, acumula desde que assumiu o cargo seis anos atrás prometendo "caminhos ensolarados".

"Preferia que ele não a tivesse convocado", disse uma fonte interna dos liberais a respeito da decisão do premiê de realizar uma eleição dois anos antes do final de seu mandato.

Trudeau diz que precisa confirmar sua autoridade para ter certeza de que os canadenses aprovam seu plano para tirar o país da pandemia de coronavírus.

Os liberais, cujos incentivos de política fiscal para a pandemia ultrapassam 23% do Produto Interno Bruto (PIB), planejam bilhões em novos dispêndios para sustentar a recuperação econômica se forem reeleitos.

Em meados de agosto, quando a eleição foi convocada, os liberais estavam bem à frente dos conservadores nas pesquisas de opinião e pareciam rumo a uma vitória fácil.

Isso mudou rapidamente e os liberais passaram semanas atrás dos conservadores nas pesquisas antes de voltarem à liderança, por pequena margem, nos últimos dias.

O'Toole, de 48 anos, e outros líderes partidários condenaram repetidamente a convocação da eleição como uma jogada cínica de poder durante uma quarta onda da pandemia, e essas palavras parecem ter ressoado entre os canadenses, cansados de sucessivos lockdowns.

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