Premiê italiano parece condenado após divergências em coalizão

Primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, discursa ao Senado, em Roma

Por Crispian Balmer, Angelo Amante e Giuseppe Fonte

ROMA, 20 Jul (Reuters) - O governo italiano desmoronou nesta quarta-feira, após três dos principais parceiros da coalizão do primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, rejeitarem um voto de confiança que o premiê havia convocado para tentar acabar com as divisões e renovar sua aliança fragilizada.

Draghi venceu a votação na câmara alta por 95 a 38, mas dezenas de senadores se recusaram a participar, deixando seu governo de 18 meses em frangalhos com uma provável eleição antecipada em setembro ou outubro como resultado.

O boicote ameaça enfraquecer a Itália após meses de relativa estabilidade, durante os quais o respeitado ex-presidente do banco central ajudou a moldar a dura resposta da Europa à invasão da Rússia na Ucrânia e impulsionou a posição do país nos mercados financeiros.

"A política falhou", disse o ministro italiano das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, que pediu repetidamente aos partidos da coalizão que apoiassem Draghi. "O futuro dos italianos estava em jogo. Os efeitos dessa escolha trágica serão vistos na história."

O primeiro-ministro deve informar à câmara baixa do Parlamento na quinta-feira que pretende renunciar, disse uma fonte política. O premiê então entregará sua renúncia ao presidente Sergio Mattarella, que é amplamente esperado anunciar eleições.

Draghi já havia pedido demissão na semana passada, depois que um de seus parceiros, o partido populista Movimento 5 Estrelas, não o apoiou em um voto de confiança sobre medidas para combater o alto custo de vida.

Além disso, os partidos de direita Forza Italia e Liga decidiram evitar a votação, afirmando que queriam um compromisso de que Draghi estava disposto a montar um novo governo sem o 5 Estrelas e com novas prioridades políticas.

Mas Draghi não parecia disposto a liderar uma nova coalizão, dizendo ao Senado que os italianos apoiavam seu governo, formado para ajudar o país a se recuperar da pandemia de Covid-19.

"O apoio que vi neste país (para a coalizão)... é sem precedentes e me convenceu a propor novamente um pacto para o governo e pedir que vocês votem nele. Vocês vão decidir", disse Draghi ao Senado antes do voto de confiança.

O comissário de Economia da UE, Paolo Gentiloni, disse no Twitter que o movimento "irresponsável" contra Draghi pode levar a uma "tempestade perfeita" e alertou para "meses difíceis à frente" para a Itália.

O chefe do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, outro partido da coalizão de Draghi, disse que o Parlamento foi contra a vontade do povo.

"Os italianos se mostrarão mais sábios nas urnas do que seus políticos", escreveu o chefe do PD, Enrico Letta, no Twitter.

(Reportagem de Giuseppe Fonte, Angelo Amante e Giselda Vagnoni em Roma)

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