Premiê do Líbano acusa presidente de bloquear formação de novo governo

Tony GAMAL-GABRIEL
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Primeiro-ministro libanês designado, Saad Hariri, em entrevista coletiva no palácio presidencial em Beirute, em 22 de março de 2021

O primeiro-ministro designado do Líbano, Saad Hariri, e o presidente Michel Aoun fracassaram mais uma vez, nesta segunda-feira (22), em sua tentativa de chegar a um acordo para a formação de um novo governo, após vários meses de um persistente bloqueio que mergulha o país em uma crise econômica.

O Líbano vive uma desvalorização da libra libanesa e uma explosão da pobreza e do desemprego, com uma erosão do poder aquisitivo e uma precarização que alimenta a revolta da população, protagonista de manifestações e bloqueios de estradas esporádicos.

Nesta segunda-feira, em um discurso transmitido pela televisão, o primeiro-ministro Hariri atacou o presidente Aoun ao final de uma breve entrevista entre ambos. Censurou-o por dificultar a formação do governo, ao insistir em uma minoria de bloqueio na próxima equipe ministerial e ao buscar impor um divisão por partido.

Hariri reiterou sua intenção de formar um governo de tecnocratas "encarregado de lançar reformas e frear o colapso, sem obstáculos, ou considerações partidárias estreitas".

Para o primeiro-ministro, é "a única e última chance para o país".

Ele relatou ter submetido ao presidente Aoun um "esboço" do governo "por 100 dias" e que está aberto "a qualquer sugestão, ou emenda".

A Presidência da República desmentiu rapidamente em um comunicado qualquer ideia de "minoria de bloqueio" e expressou sua "surpresa" sobre as declarações e o tom do primeiro-ministro.

Um dos pilares da classe política tradicional e três vezes primeiro-ministro, Hariri foi encarregado, no final de outubro passado - um ano após sua queda sob a pressão dos protestos de rua -, de formar um novo governo. Espera-se a adoção urgente de reformas.

Cinco meses depois, porém, os partidos continuam absorvidos por suas habituais barganhas e disputam a distribuição dos ministérios como se nada estivesse acontecendo, em um país multiconfessional, onde os líderes de cada comunidade decidem tudo.

Em agosto de 2020, o governo atual renunciou, após a explosão devastadora no porto de Beirute, que deixou mais de 200 mortos e milhares de feridos.

A França, que tenta exercer pressão há meses sobre os dirigentes libaneses, pediu nesta segunda-feira à União Europeia usar sua influência sobre estes para tirar o país da crise.

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