Premiê do Peru renuncia e pode abrir nova crise no governo Pedro Castillo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em pouco mais de um ano no poder, o presidente do Peru, Pedro Castillo, terá que nomear seu quinto premiê nos próximos dias. O mais recente, Aníbal Torres, renunciou nesta quarta-feira (3) "por motivos pessoais".

É tradição no país que os demais ministros ponham seus cargos à disposição do presidente quando o primeiro-ministro renuncia. O premiê é responsável por coordenar os membros do gabinete e administrar as relações do Executivo com os demais poderes do Estado. Com isso, Castillo, um esquerdista conservador, precisará nomear chefes para todas as pastas do governo.

"Aproveito esta oportunidade para agradecer a confiança depositada em mim, primeiro como ministro da Justiça e depois como premiê", escreveu Torres em uma carta publicada no Twitter. Ele assumiu o cargo em fevereiro e foi o primeiro-ministro que mais tempo ficou no poder desde a eleição de Castillo -sinal da crise política do país.

Segundo a imprensa peruana, Torres deve ser substituído pelo ministro da Cultura, Alejandro Salas, ou pela deputada e ex-ministra do Trabalho, Betssy Chávez. Até a publicação deste texto, o presidente não havia se pronunciado sobre a renúncia.

Torres, 79, acompanhou Castillo desde seu tempo como candidato à Presidência e foi nomeado ministro da Justiça no primeiro gabinete do governo, cargo que ocupou até fevereiro. Ele era visto pela imprensa peruana como um dos políticos mais leais ao presidente.

De pouco valeu, porém, a lealdade nesse caso. Segundo o jornal peruano El Comercio, o presidente cogitava, já na semana passada, mudar o chefe de pelo menos seis ministérios, incluindo o posto de premiê. A intenção, segundo o veículo, era "renovar" o gabinete. De acordo com pesquisa da Ipsos Peru, feita em julho e também destacada por El Comercio, 66% dos peruanos defendiam a substituição do primeiro-ministro.

A nova troca acontece quando Castillo é investigado por cinco crimes. Entre os delitos apurados pelo Ministério Público estão supostos esquemas de corrupção em obras públicas e tráfico de influência em um contrato de compra de combustível. Pesquisas apontam que ele tem hoje reprovação de 74% dos eleitores.

Em meio ao desgaste político, o presidente peruano é alvo também de investigação por plágio em sua dissertação de mestrado. "Um ano e meus rivais, até agora, não conseguiram encontrar nenhuma prova. Estou aqui pela vontade do povo, chegou o momento de as regiões serem escutadas", defendeu recentemente.

Os presidentes peruanos podem ser investigados enquanto estiverem no cargo, mas a legislação impede que eles sejam acusados.

Nas eleições do ano passado, Castillo contou com o voto de rejeição dos peruanos aos políticos tradicionais. O país vive uma crise política há anos. Nos últimos quatro, apenas um presidente empossado conseguiu terminar o mandato sem renunciar ou sofrer impeachment.

Diferentemente de seus antecessores, Castillo parece protegido dos processos de vacância pelo fato de o Congresso estar fragmentado e não ter conseguido, até aqui, juntar os 87 votos (dos 130 deputados) necessários para tirá-lo do jogo -ainda que não faltem tentativas.

Em um ano de poder, o líder peruano mudou de partido após ser acusado pelos ex-correligionários de não ter colocado em prática o programa do partido nem ter cumprido as promessas eleitorais. A sigla, inclusive, chegou a declarar oposição ao governo.

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