Premiê russo retoma funções após se recuperar da Covid-19

MOSCOU – O primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, retomou o trabalho nesta terça-feira, três semanas depois de ter sido internado pelo novo coronavírus, segundo informou o Kremlin. O decreto do presidente Vladimir Putin publicado nesta terça-feira põe fim às funções de Andrei Beloossov como chefe de governo interino. Ele substituiu Mishustin em 30 de abril.

O Kremlin, no entanto, não disse se o premiê, que realizou uma videoconferência na segunda-feira, deixou o hospital.

Michustin, que não precisou de cuidados intensivos, continuava aparecendo na televisão de tempos em tempos, trabalhando apesar de estar hospitalizado.

Durante sua última videoconferência na segunda-feira, ele anunciou que a Rússia "conseguiu deter o crescimento da mortalidade pelo novo coronavírus", mas que a situação permanecia "complicada".

O número de infectados pelo novo coronavírus na Rússia está se aproximando dos 300 mil. Segundo dados oficiais, nas últimas 24 horas foram registrados 9.263 novos casos da Covid-19,  elevando o total na Rússia para 299.941, o segundo país do mundo com mais infecções depois dos Estados Unidos.

A Rússia também registrou 115 mortes nas últimas 24 horas, elevando o saldo total para 2.837.

O governo avalia que a situação está se estabilizando, com menos de 10 mil novos casos pelo quarto dia consecutivo.

Mas, críticos do governo consideram que há uma subnotificação do número de falecimentos e suspeitam de que as autoridades estejam atribuindo os falecimentos por coronavírus a outras causas.

Em abril, cerca de 60% das mortes dos casos positivos de Moscou, o epicentro do surto de coronavírus da Rússia, não foram registradas como consequência da Covid-19 e sim atribuídas a outras causas.

Essas mortes ocorreram "como resultado de uma razão alternativa óbvia, como catástrofe vascular (ataques cardíacos e derrames), doenças malignas em estágio avançado ... e outras doenças incuráveis", mostrou um estudo russo.

O Departamento de Saúde de Moscou disse ainda que a maneira como a Rússia conta as mortes por coronavírus é mais precisa do que em outros países e citou os benefícios de um programa de testes em todo o país, no qual mais de 7 milhões de testes foram realizados.

O Kremlin não respondeu a um pedido da Reuters  para comentar sobre casos individuais ou se a Rússia estava deliberadamente mantendo o número oficial de mortos. Tatyana Golikova, vice-primeira-ministra da Rússia, negou qualquer falsificação de estatísticas.

Ao contrário da maioria dos países, a Rússia conta com uma análise pós-morte para decidir se a causa do óbito de uma pessoa infectada foi causada pelo vírus ou não.

As autoridades dizem que uma das razões para a baixa mortalidade é que apenas as mortes diretamente relacionadas ao vírus estão incluídas no balanço.

Alegam ainda que, como a Covid-19 chegou ao território mais tarde do que a outros países, a Rússia teve mais tempo de se preparar e fez testes de detecção em larga escala para reduzir a propagação.

A taxa de mortalidade do país, uma das menores do mundo, é de 1,88 por 100 mil habitantes, de acordo com a Universidade Johns Hopkins. O número equivalente nos Estados Unidos é 27,61 e na Grã-Bretanha, 52,45.