Premiê do Sri Lanka renuncia após protestos ligados à crise econômica

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O premiê do Sri Lanka, país asiático de 22 milhões de habitantes, apresentou sua renúncia ao cargo nesta segunda-feira (9) em meio a protestos relacionados à pior crise econômica desde que a nação conquistou sua independência do Reino Unido, em 1948.

Mahinda Rajapaksa enviou sua carta de renúncia ao presidente Gotabaya Rajapaksa, que também é seu irmão mais novo, pouco após um toque de recolher ser determinado por autoridades de segurança na tentativa de conter os protestos nas ruas. Parte dos manifestantes pedia a saída dos governantes devido ao fracasso da agenda econômica.

No texto, o premiê diz que está deixando o cargo para permitir que o país forme um governo de unidade. "Várias partes indicaram que a melhor solução para a crise atual seria a formação de um governo interino, com todos os partidos; por isso apresentei minha demissão, para que os próximos passos da Constituição sejam dados."

Atingido duramente pela pandemia de Covid-19, o país insular também convive com o aumento dos preços de combustíveis e se preparava para uma reunião virtual com o Fundo Monetário Internacional (FMI) na tentativa de obter assistência financeira emergencial.

Longas filas para comprar gás de cozinha nas últimas semanas desaguaram em protestos improvisados, inicialmente puxados por consumidores insatisfeitos que bloquearam estradas. Empresas de energia disseram que estão com poucos estoques de gás.

Nesta segunda, apoiadores do governo atacaram manifestantes durante atos na capital econômica do país, Colombo, e entraram em confronto com a polícia, que usou gás lacrimogêneo e canhões de água.

De acordo com a polícia, o deputado governista Amarakeerthi Athukorala foi encontrado morto na cidade de Nittambuwa. Ele teria atirado e ferido com gravidade duas pessoas que bloqueavam a passagem de seu carro -uma delas morreu- e, depois, suicidou-se perto do local. Outras 140 pessoas ficaram feridas nos confrontos.

O premiê e o presidente, que declararam estado de emergência na semana passada pela segunda vez em cinco semanas -sem que conseguissem controlar o descontentamento público- pediram calma à população. Centenas de pessoas também se reuniram do lado de fora da residência oficial do primeiro-ministro.

Manifestantes pró-governo, segundo relatos da agência Reuters, atacaram opositores com barras de ferro e outros artefatos durante protestos, iniciados em março. Ao menos nove pessoas foram levadas para hospitais depois de serem feridas e inalarem gás lacrimogêneo.

Os confrontos ocorreram principalmente perto das tendas do recém-criado movimento Gota Go Gama, que, em seu site oficial, se define como uma plataforma gerida majoritariamente por jovens para exigir o fim da corrupção e a renúncia do governo Rajapaksa.

"Condenamos veementemente os atos de violência registrados, independentemente da filiação política daqueles que os praticam", escreveu o presidente Rajapaksa em uma rede social. "A violência não vai resolver os problemas atuais do Sri Lanka", completou.

Ainda que a crise sanitária tenha dado o empurrão que faltava para o caos político e social, manifestantes e analistas apontam que a crise econômica tem origem na administração da família Rajapaksa. Os governantes anunciaram grandes cortes de impostos, que afetaram o arrecadamento do governo e fizeram o país ter de usar suas reservas.

A campanha oficial de proibição do uso de fertilizantes químicos, sob a alegada justificativa de promover a agricultura orgânica para fins de saúde pública, também teve peso, com agricultores tendo uma das piores colheitas no ano passado, e a população assistindo ao preço de produtos alimentícios básicos subir.

De família tradicional na polícia, Mahinda Rajapaksa, 76, assumiu uma cadeira no Parlamento do Sri Lanka pela primeira vez em 1970, quando, aos 24 anos, tornou-se o membro mais jovem. Décadas depois, em 2005, foi eleito presidente -cargo que ocupou até 2015.

O principal marco de seu governo foi a derrota que conquistou sobre os separatistas conhecidos como Tigres Tâmeis em 2009, episódio que catapultou sua popularidade doméstica, mas também rendeu críticas de observadores internacionais devido a relatos de violência.

O Sri Lanka assistiu a décadas de conflito, desde os anos 1980, entre os rebeldes separatistas tâmil, majoritariamente hindus, que lutavam pela criação de um Estado independente ao norte, e a maioria cingalesa, predominantemente budista. Mediado pela Noruega, um acordo de cessar-fogo chegou a ser firmado em 2002. Quando presidente, porém, Rajapaksa tornou objetivo de seu mandato erradicar os Tigres Tâmeis, derrotados em 2009, pondo fim à longa guerra civil.

Em relatório publicado em fevereiro, a alta comissária das Nações Unidas para direitos humanos, Michelle Bachelet, manifestou preocupação com o que descreveu como "tendências contínuas de militarização e nacionalismo étnico-religioso" no Sri Lanka que, seguiu, "minam as instituições democráticas, aumentam a tensão entre as minorias e impedem a reconciliação".

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