Premiê sueca reconhece derrota nas eleições e direita se prepara para assumir poder

Ulf Kristersson, líder do Partido Moderado da Súecia, em Estocolmo

Por Simon Johnson e Anna Ringstrom

ESTOCOLMO (Reuters) - O líder do Partido Moderado da Suécia, Ulf Kristersson, disse nesta quarta-feira que começará o trabalho de formação de um novo governo depois que a atual primeira-ministra, Magdalena Andersson, admitiu que seu Partido Social-Democrata perdeu as eleições gerais realizadas no último fim de semana.

Juntos, moderados, democratas suecos, democratas-cristãos e liberais devem conquistar 176 das 349 cadeiras no Parlamento, contra as 173 vagas da centro-esquerda, de acordo com os últimos números da autoridade eleitoral do país.

Ainda faltam alguns votos a serem computados, mas é improvável que o resultado mude significativamente.

“Agora vou começar o trabalho de formar um novo governo que possa fazer as coisas acontecerem”, disse Kristersson em um vídeo em sua conta no Instagram.

A eleição marca um divisor de águas na política sueca, com os democratas suecos, um partido que tem posicionamentos anti-imigração e raízes na supremacia branca, prestes a ganhar influência sobre a política do governo.

O sucesso do partido, que substituiu os moderados, de Kristersson, como o segundo maior do país, levanta temores de que a política tolerante e inclusiva da Suécia fique no passado.

No entanto, o mantra do partido, de que os males da Suécia --especialmente os crimes causados por gangues-- são resultado de décadas de políticas de imigração excessivamente generosas, atingiu muitos eleitores.

Kristersson disse que construiria um governo "para toda a Suécia e todos os cidadãos".

"Há uma grande frustração na sociedade, medo da violência, preocupação com a economia, o mundo é muito incerto e a polarização política se tornou muito grande também na Suécia", disse. "Portanto, minha mensagem é que eu quero unir, não dividir."

Embora o partido de Kristersson seja menor, o líder democrata sueco, Jimmie Akesson, não teria o amplo apoio da direita necessário para derrubar os sociais-democratas.

É provável que Kristersson tente formar um governo com os democratas-cristãos e conte com o apoio parlamentar dos democratas suecos e liberais.