Premiê sueco vai à Turquia para negociações sobre expansão da Otan

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, recebe nesta terça-feira (8) em Ancara o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, que tenta avançar com o projeto de adesão de Estocolmo à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), bloqueado desde maio pela Turquia.

Erdogan disse nesta terça que se reunirá novamente este mês com Kristersson.

"Esperamos ter uma perspectiva mais positiva quando a reunião conjunta for realizada em Estocolmo no final do mês", disse Erdogan, sem especificar a data, afirmando que "deseja, sinceramente, a adesão da Suécia" à Aliança Atlântica.

O chefe de Estado turco está em uma posição de força, graças, em parte, à sua recente mediação bem-sucedida com o presidente russo, Vladimir Putin, que finalmente retornou ao acordo sobre as exportações de grãos ucranianos.

"É hora de dar as boas-vindas à Suécia e à Finlândia na Otan", disse o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, em visita à Turquia na semana passada, acrescentando que é necessário "enviar uma mensagem clara à Rússia".

Embora a Turquia tenha saudado o progresso nas negociações desde a formação do novo governo sueco no mês passado, o presidente Erdogan disse na sexta-feira, pela terceira vez em um mês, que seu Parlamento ratificará a adesão dos dois países nórdicos apenas se certas "medidas" forem tomadas.

A Turquia acusa Suécia e Finlândia de protegerem os combatentes curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e das Unidades de Proteção Popular (YPG), considerados terroristas por Ancara.

Vários pedidos de extradição constam em um memorando de entendimento assinado em junho, entre esses três países, na cúpula da Otan em Madri. Desde então, a Turquia está impaciente, pois a Suécia fez apenas uma extradição desde o início do ano, por "fraude".

Em entrevista à AFP em outubro, o novo ministro das Relações Exteriores da Suécia, Tobias Billström, disse estar convencido de que Estocolmo poderá "satisfazer" os diferentes pontos do memorando, referindo-se a "um diálogo positivo" com Ancara.

Em uma demonstração de boa vontade sueca, Billström disse, no sábado, que a Suécia deve "se distanciar" do YPG – na linha de frente da luta antijihadista apoiada pelos EUA na Síria – por causa de seu "vínculo muito forte" com o PKK, reconhecida como organização terrorista pela União Europeia.

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