Premier da Itália sinaliza intenção de seguir no cargo, mas dá ultimato a partidos da coalizão

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,Em um longo discurso ao Senado da Itália, o primeiro-ministro do país, Mario Draghi, deu sinais de que pretende permanecer no cargo, após cinco dias de crise. Especulava-se que ele pudesse apresentar sua renúncia durante o discurso, confirmando um intuito anunciado na última quinta-feira. Como isto não aconteceu, reduziram-se um pouco as tensões.

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A decisão de fato, no entanto, só acontecerá à noite, e está marcada para por volta de 14h30 de Brasília: os partidos vão deliberar entre si a partir das considerações de Draghi, e então farão uma moção de confiança, na qual será medido o apoio ao governo. Se perder força, ele ainda pode deixar o cargo.

Draghi lidera um governo de unidade que inclui quase todos os partidos italianos, com exceção dos Irmãos de Itália, da extrema direita. A crise atual se deflagrou quando um dos partidos da base governisra, o Movimento 5 Estrelas (M5S), se absteve de votar em um pacote econômico proposto pelo governo, alegando que não incluía gastos sociais suficientes.

No fim de semana, dois partidos de direita, a Liga, de Matteo Salvini e o Força Itália, de Silvio Berlusconi, disseram que estavam prontos para deixar o governo, complicando ainda mais a busca por uma solução.

Em seu discurso, Draghi deixou claro que, para seguir no cargo, os partidos da coalizão governista da Itália devem estar dispostos a se alinharem às suas propostas. Segundo ele, o acordo de confiança entre a maioria governista foi rompido, o que “abateu” a coalizão. Ainda assim, ele — cujo perfil é de um economista tecnocrata, e não de um político — disse que se sensibilizou pelos apelos “sem precedentes” por sua permanência nos últimos dias.

Draghi afirmou que a Itália precisa de um “governo forte e coeso”, sustentado por “um acordo de confiança sincero e concreto”.

— A única maneira de continuarmos juntos é reconstruir esse pacto do zero, com coragem, altruísmo, credibilidade. O povo italiano, em particular, está pedindo isso — disse ele, que está no cargo há 17 meses.

Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), disse na primeira parte de seu discurso no Senado que foi convidado no ano passado a criar um governo para enfrentar a pandemia, bem como emergências econômicas e sociais. O amplo apoio de todos os principais partidos, exceto o Irmãos de Itália, permitiu que seu governo agisse rapidamente e aprovasse reformas, disse ele.

— Acho que um primeiro-ministro que nunca enfrentou eleitores precisa do apoio mais amplo possível no Parlamento — disse Draghi, em alusão à sua condição de nunca ter sido eleito para o Parlamento.

O premier listou condições para continuar a liderar o governo. As medidas que pretende pôr em prática e que a coalizão precisa apoiar incluem o seu programa de reformas econômicas exigidas pela UE para a liberação de fundos, o apoio à aceleração da transição para uma economia ecológica, ajudas a famílias e empresas para conter a crise do custo de vida, a introdução de um salário mínimo e melhoria dos pagamentos da rede de bem-estar social.

Ele também pediu a aprovação de um projeto de lei de concorrência que liberaria mercados, incluindo licenças para administrar praias públicas e oferecer passeios de táxi, duas questões espinhosas na Itália, que enfrentaram forte oposição de setores afetados.

Draghi também deixou claro que pretende continuar armando a Ucrânia, outra questão polêmica, principalmente para o M5S.

— Precisamos continuar apoiando a Ucrânia com todos os meios — disse Draghi aos senadores.

Representantes da Liga e do M5S não aplaudiram o discurso de 36 minutos. Os motivos para o afastamento do premier são diferentes: a Liga tem esperança de que, caso haja eleições antecipadas, possa chegar ao poder, pois as pesquisas mostram uma clara vantagem da direita. Já o M5S perdeu influência na política, e busca reconstruir sua identidade, com clamores públicos por maiores gastos sociais.

Os partidos têm agora toda a tarde para decidirem entre si, até a votação. Caso o apoio a Draghi não seja suficiente para o premier permanecer no cargo, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, poderá decidir se convida os partidos a tentarem formar um novo governo, ou então se são convocadas eleições gerais.

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