Premier League quer mudar VAR para casos de impedimento

ALEX SABINO
Telão mostra o que o VAR está checando em jogo do Inglês (Martin Rickett/PA Images via Getty Images)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Começou neste sábado (17) a 2ª rodada da Premier League. E antes de terminar o segundo final de semana da experiência do país com o VAR, os dirigentes da Inglaterra já querem mudá-lo.

O futebol inglês deseja que a International Board, entidade que regulamenta as leis do futebol, discuta em março de 2020 uma alteração no protocolo do árbitro de vídeo.

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Pelo desejo dos dirigentes britânicos, o VAR só seria acionado, nos impedimentos, em erros claros cometidos pela arbitragem. Em jogadas próximas, quando a condição do jogador for definida pela localização do braço ou pé, valeria a interpretação do quarteto de arbitragem em campo.

"Parece haver o desejo de que alguns aspectos do VAR sejam discutidos, mas isso não nos foi apresentado de maneira oficial", escreveu à Folha de S.Paulo o ex-árbitro David Elleray, diretor técnico da International Board.

Antes mesmo do início da Premier League, o último torneio nacional de expressão na Europa a adotar o árbitro de vídeo, já havia o conceito de que os protocolos teriam de ser revistos.

"Vai evoluir nos próximos três ou quatro anos. Se uma das maneiras de simplificar o processo e acelerá-lo é ajustar a lei então é algo que poderia ser levado em consideração", disse Mike Riley, chefe da arbitragem na Inglaterra, para o diário londrino The Times.

Bastaram apenas duas partidas para as autoridades inglesas quererem mudar o VAR. No segundo jogo da temporada, entre West Ham e Manchester City, em Londres, houve descontentamento com a interpretação do árbitro de vídeo, que anulou gol do City porque o ombro de Raheem Sterling estava adiantado em relação à zaga.

No fundo, o desejo da Premier League é fazer valer sua visão do que deve ser o VAR: uma ferramenta usada apenas para evitar que erros escabrosos sejam cometidos pelos árbitros.

A ideia, implantada a partir do início do torneio, é interromper o ritmo do jogo o menos possível e evitar as idas ao monitor para checar jogadas.

A consequência disso seria evitar partidas com acréscimos de mais de cinco minutos, como se tornou norma no Campeonato Brasileiro.

A versão inglesa também determinou que o VAR não seja acionado para verificar se o goleiro se mexeu ou não na cobrança do pênalti (embora possa ser consultado para a invasão de zagueiros e atacantes na área) e mudou a interpretação para marcar faltas com toques de mão.

A regra da International Board é que seja considerado pênalti o lance em que o jogador assumiu o risco de levantar o braço e tenha tocado na bola, mesmo sem querer. Na interpretação da Premier League, a infração só deve ser assinalada se o árbitro acreditou ter havido intenção.

A International Board não viu com bons olhos as mudanças inglesas, mas nada fez para impedir. Chegou à conclusão de que é melhor esperar os resultados. Mas o secretário da entidade, Lulas Burd, afirma não haver nenhuma intenção de rediscutir a aplicação do impedimento pelo VAR.

"Vamos nos reunir em março, mas esse tópico não será discutido", afirma.

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