Preocupação com China no 5G é a mesma com democratas e republicanos, diz secretário de Trump

Marcello Corrêa
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BRASÍLIA — A avaliação do governo americano de que a participação de empresas chinesas na implantação da tecnologia 5G é um risco à segurança global deve ser mantida em um governo democrata, disse nesta quarta-feira o secretário para Crescimento Econômico, Energia e Meio Ambiente do Departamento de Estado dos EUA, Keith Krach.

A declaração foi dada em conversa com jornalistas, no último dia da visita do secretário ao Brasil, na qual o governo brasileiro anunciou um apoio aos princípios da chamada Clean Network (Rede Limpa, em inglês), iniciativa do presidente Donald Trump para bloquear a participação da China no 5G.

Sem mencionar especificamente o presidente eleito Joe Biden — o governo Trump ainda não reconhece a vitória do opositor —, Krach disse que a preocupação com a atuação da China é compartilhada por democratas e republicanos nos EUA.

— Todo esse assunto em relação ao Partido Comunista Chinês é o assunto que mais une ambos os partidos, democratas e republicanos. Então, isso não vai mudar de forma nenhuma. Ambos os lados entendem as questões estratégicas do 5G e as implicações que isso terá. É uma grande mudança de paradigma. Republicanos e democratas entendem que a Huawei é uma extensão do braço de vigilância da China — afirmou o secretário.

Também presente na conversa, o embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, reforçou que a avaliação é nacional.

— Não temos uma bola de cristal para prever o futuro, mas há um consenso político nos EUA que esses temas são importantes. Há muitas coisas na nossa relação que podemos continuar a dar ênfase e estamos confiantes que podemos continuar com essa agenda — disse o embaixador.

Na terça-feira, o governo brasileiro anunciou que apoia os princípios da Clean Network, o que deve afastar o país das negociações com a Huwaei, principal fornecedora de componentes para o 5G.

Questionado sobre quais os próximos passos esperados do governo brasileiro, o secretário afirmou que não pode falar por Brasília, mas mencionou que a decisão pode envolver medidas regulatórias ou negociações com as companhias de telefonia.

— Não posso falar pelo governo brasileiro. Eles decidem como vão lidar com isso. Eles podem fazer várias coisas, como regulação, conversas com empresas de telecomunicações, o que quer que seja. Achamos ótimo que eles tenham se comprometido (com a Clean Network) — afirmou.

A visita de Krach, que segue nesta semana para missões no Chile e no Equador, é o mais recente movimento do governo americano para pressionar o governo brasileiro a se afastar da Huawei nas negociações para implantação do 5G, cujo leilão está previsto para o ano que vem.

No fim de outubro, a presidente do conselho de administração do Banco de Exportação-Importação dos EUA, Kimberly Reed, ofereceu financiamento para que companhias brasileiras recorram a empresas fora da China para implantar o 5G no país.