Preocupação nos pubs ingleses pelo segundo confinamento

Callum PATON
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Jovem serve uma cerveja em um pub de Mayfair, em Londres, Reino Unido
Jovem serve uma cerveja em um pub de Mayfair, em Londres, Reino Unido

Denunciando "a gota que transbordou o copo", os pubs da Inglaterra estão alarmados pelas consequências de um segundo confinamento contra o coronavírus, que nesta quarta-feira (4) à noite os levará a servir as últimas cervejas em pelo menos um mês.  

A partir de quinta-feira e até 2 de dezembro, os 56 milhões de habitantes da Inglaterra deverão trabalhar de casa se puderem e sair apenas por motivos essenciais.

Todos os comércios, exceto alimentação e farmácias, terão que fechar e os restaurantes e pubs só poderão vender comida para levar ou entregar em domicílio.  

"Isso pode ser a gota d'água para milhares de pubs e cervejarias", alerta Emma McLarkin, diretora executiva da Associação de Pubs e Cervejarias, que representa cerca de 20.000 estabelecimentos no Reino Unido. 

"Criará grandes interrupções na rede de abastecimento para nossos membros, que veem seus negócios em grande perigo", acrescentou.

Os pubs, ou "public houses" (casas públicas), são há séculos o epicentro da vida social na Inglaterra e seu fechamento tornou-se um emblema dos transtornos associados à pandemia.  

Quando anunciou o primeiro fechamento dos pubs em março, o primeiro-ministro Boris Johnson chamou de "dolorosa" sua decisão de tirar "das pessoas nascidas livres no Reino Unido o velho e inalienável direito de ir ao pub".  

Embora alguns tenham reabrido a partir de julho, as medidas de distanciamento e o fechamento posterior às 22 horas reduziram consideravelmente seus lucros. 

Por conta disso, o órgão UK Hospitality teme que este segundo confinamento seja mais difícil de superar que o anterior, devido à acumulação.  

"Se o setor de restaurantes e hotelaria, o terceiro maior provedor de empregos em nosso país, deseja sobreviver, precisará do mesmo ou até de mais apoio do que no primeiro confinamento", disse à AFP Kate Nicholls, diretora-gerente do UK Hospitality. 

O TradeWaste, órgão responsável por coletar e reciclar lixo para as empresas, denunciou que 7,5 milhões de garrafas de cerveja estragariam devido ao segundo confinamento, juntando-se às 70 milhões do primeiro.  

E lançou uma campanha que nesta quarta-feira rendeu frutos: o governo autorizou os pubs a venderem cerveja para levar com a condição que "seja pedida antecipadamente e os clientes não entrem no local", explicou Charlotte Green do TradeWaste.

O órgão celebrou este "balão de oxigênio" para o setor, que permitirá que não tenham que tirar toda a cerveja do barril restante quando o confinamento entrar em vigor.  

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