As preocupações dos vizinhos do Cone Sul com o combate ao coronavírus no Brasil

Janaína Figueiredo

Países vizinhos costumam dizer que o Brasil é um continente dentro do continente e tudo o que acontece no país tem, de uma maneira ou de outra, impacto na região. As notícias que chegam aos demais governos latino-americanos sobre como o presidente Jair Bolsonaro está enfrentando a pandemia do coronavírus causam, essencialmente, perplexidade. Sobretudo nos que fazem fronteira com o Brasil. Entre eles, está o Paraguai, cujo Executivo está preocupadíssimo e já lamentou, por seu ministro do Interior, Euclides Acevedo, a demora do governo brasileiro em reagir.

São 700 quilômetros de fronteira e um intercâmbio comercial expressivo e fundamental para os paraguaios. A mesma coisa acontece com uruguaios e argentinos. Em rádios uruguaias, comenta-se que brasileiros que moram perto da fronteira a atravessam para fazer a quarentena no país vizinho. O medo está se espalhando e, a cada pronunciamento do presidente brasileiro, aumenta.

Se o Brasil se tornar o epicentro da pandemia no continente, seus sócios do Mercosul sofrerão graves consequências. Em matéria de comércio, e pelo desequilíbrio regional que uma situação como essa geraria. Em reunião virtual de presidentes do bloco, semana passada, o paraguaio Mario Abdo Benítez pediu ações conjuntas contra o coronavírus. Na semana seguinte, seu governo acompanhou com angústia os anúncios do governo brasileiro.

Na Argentina, o governo Alberto Fernández já desistiu de esperar qualquer tipo de cooperação do Brasil. Seus mais altos funcionários estão mergulhados numa cruzada que já despertou elogios fora do país, pelo rigor adotado, que está rendendo frutos. Perguntado sobre as atitudes de Bolsonaro, um ministro do gabinete argentino disse desconhecer o que estava acontecendo. “Me desculpe, não tenho lido”. Há inquietação, mas também a visão de que, com Bolsonaro, pouco se pode esperar em termos de trabalho conjunto contra a pandemia.

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