Preocupação com diversidade amplia atuação de pessoas LGBT+ no mercado de trabalho

Empresas criam processos seletivos para aumentar a diversidade LGBT+ no quadro de funcionários
Empresas criam processos seletivos para aumentar a diversidade LGBT+ no quadro de funcionários (Getty Image)
  • Emprego é um dos temas mais debatidos dentro do ativismo LGBT+

  • Na pandemia, 6 a cada 10 pessoas da comunidade perderam a renda

  • Programas de inclusão ajudam o retorno ao mercado de trabalho

Emprego é um dos pontos que sempre estive em discussão na comunidade LGBT+. Isso porque gays, lésbicas e, principalmente, pessoas trans sofrem discriminações sistemáticas no mercado de trabalho.

Uma pesquisa realizada pelo coletivo #VoteLGBT+ mostrou que, durante a pandemia, seis em cada dez pessoas dessa comunidade perderam o emprego ou a renda. A pesquisa, realizada no ano passado, ainda não foi atualizada, mas já apontava as consequências negativas da pandemia para a população LGBT+.

Contudo, as coisas parecem estar melhorando. A psicóloga e conselheira da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Jacqueline Resch, afirmou em entrevista à Agência Brasil que está vendo um movimento de mais abertura, embora as estatísticas não sejam favoráveis. “Mas se pensar em alguns anos atrás, a gente começa a ver, sim, uma abertura”, confirmou.

Algumas empresas já começam a fazer seleções específicas para ampliar a diversidade. Um exemplo é a Ambev, que contratou a cantora Lina Pereira como consultora de diversidade e inclusão.

Já a companhia de telefonia Tim, em parceria com a Transcedemos e a Ampli, abriu um processo de seleção para pessoas trans com bolsas de estudo para um curso de experiência do cliente (customer experience).

Apesar das iniciativas, nem todas as pessoas ainda se sentem confortáveis em revelar a orientação sexual ou a identidade de gênero no trabalho. Um estudo conduzido pelo Consulting Group (BCG) aponta que 77% dos funcionários brasileiros que se identificam como LGBT+ afirmam já terem sofrido algum tipo de discriminação no trabalho.

Já um levantamento feito pela consultoria Santo Caos com 20 mil trabalhadores de todo o Brasil mostra que 65% dos profissionais LGBTQIA+ alegam ter sofrido discriminação no trabalho. Enquanto isso, 28% dizem ter sido vítimas de assédio.

“E faz com que muitos desses profissionais que foram contratados sem revelar sua identidade sexual ou identidade de gênero agora ganhem espaço de mais segurança para poder falar desse tema. As iniciativas são essas, grupos de diversidade dentro das empresas e esse tema na pauta dos veículos de comunicação da nossa área e dos congressos. A gente entende que é muito relevante falar desses temas”, ressalta Jacqueline.

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