Preocupado com variante indiana, Reino Unido lança novo ensaio clínico

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Ministro da Saúde britânico, Matt Hancock

Milhares de voluntários no Reino Unido vão receber uma vacina de reforço contra a covid-19 em um novo ensaio clínico lançado nesta quarta-feira (19), anunciou o ministro da Saúde britânico, reconhecendo a preocupação com o avanço da variante indiana do coronavírus.

O estudo, conduzido pelo Southampton University Hospital e financiado pelo governo com £ 19,3 milhões (US$ 27 milhões), testará sete vacinas para fornecer dados sobre o impacto de uma terceira dose nas respostas imunológicas.

País mais atingido da Europa pela pandemia, com quase 128 mil mortes, o Reino Unido registrou 2.967 casos da variante conhecida como B1.617.2, detectada inicialmente na Índia, segundo informou nesta quarta o ministro Matt Hancock.

Isso representa um aumento de um terço em relação à segunda-feira.

Em entrevista coletiva televisionada, Hancock pediu a todos que se vacinassem já que "essa variante é mais transmissível" do que a cepa britânica, detectada em dezembro no sul da Inglaterra e que provocou um surto de casos no país e quatro meses de confinamento.

A situação é, porém, diferente, porque agora 70% dos adultos (37 milhões de pessoas num país com 66 milhões de habitantes) receberam a primeira dose de uma vacina e 40% as duas exigidas, sublinhou.

"Estamos convencidos de que as vacinas são eficazes contra" a variante indiana, disse ele. "Isso significa que nossa estratégia é a certa: substituir com cuidado as restrições às nossas liberdades pela proteção oferecida pelas vacinas", acrescentou.

Hancock atribuiu a disseminação da variante indiana, principalmente em cidades do norte da Inglaterra com grandes comunidades asiáticas, à relutância de algumas pessoas em se vacinarem.

Seu governo, no entanto, foi fortemente criticado por ter demorado em restringir as viagens da Índia em abril, num momento em que o primeiro-ministro Boris Johnson planejava uma grande viagem diplomática a Nova Delhi, que acabou sendo adiada.

Nesse contexto, 2.886 voluntários receberão uma terceira dose de reforço em 16 centros da Inglaterra e seus anticorpos serão testados aos 28, 84, 308 e 365 dias para medir suas respostas imunológicas.

Os primeiros resultados, esperados para setembro, ajudarão a embasar as decisões do comitê científico que assessora o executivo sobre a vacinação.

O governo planeja ter oferecido uma primeira dose a todos os adultos até o final de julho e lançar um programa de reforço para os mais vulneráveis no outono boreal.

Hancock também anunciou que os ministros da Saúde do G7, grupo das sete maiores economias do mundo, presidido este ano pelo Reino Unido, se reunirão pessoalmente na Universidade de Oxford nos dias 3 e 4 de junho.

acc/mb/mr

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