Preocupados com aglomerações no transporte público, especialistas recomendam aumento de frota e mudança de linhas

Lucas Altino
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Foto: Luiza Moraes / Agência O Globo

RIO — Um dos principais focos de aglomeração na cidade, o transporte público vem sendo prioridade nos debates entre cientistas e transportes. Na reunião do Comitê Especial de Enfrentamento da Covid-19, especialistas e integrantes da prefeitura citaram a possibilidade de aumento de frotas do ônibus e metrô para mitigação do público. Nesta terça, o Grupo de Trabalho (GT) Multidisciplinar para Enfrentamento da COVID-19 da UFRJ emitiu uma nota que também ataca esse problema e recomenda troca de janelas dos veículos por persianas fixas, para garantir melhor circulação de ar.

Procurada, a Rio Ônibus citou a dificuldade de aumento de frota diante da penúria financeira das empresas do setor e que a maioria dos veículos tem janelas que podem ser abertas. Já o MetrôRio afirmou que trabalha com a mesma frota do período pré-pandemia nos horários de pico e que seu sistema de ar-condicionado realiza filtragem do ar.

Membro do comitê, o pediatra do Instituto de Saúde Coletiva da UFRJ, Daniel Becker, disse que o transporte público foi um dos temas mais debatidos na reunião de segunda.

— O transporte público é um gargalo. Não sabemos muito bem como lidar com essa questão até hoje e isso gera preocupação. Na reunião foi dito que espera-se contribuição de empresários de metrô e ônibus para voltarem com frota completa e, assim, evitar aglomeração.

Em uma nota técnica nesta terça, o GT Multidisciplinar para Enfrentamento da COVID-19 da UFRJ escreveu seis recomendações, sendo relacionadas ao transporte público: escalonar horários de expediente de setores produtivos para melhor escoação entre os modais; garantir renovação de ar nos veículos, com exemplo de troca de janelas por persianas fixas; e implantar linhas de curta distância com veículos menores e apropriados, que ofereçam mobilidade e disponibilidade próxima à residência das pessoas. Segundo os pesquisadores, essa última medida poderia implicar na melhoria da infraestrutura do transporte.

O coordenador do grupo da UFRJ, o infectologista Roberto Medronho lamentou a ausência de estratégias intersetoriais.

— Os serviços de transporte público não vêm sendo desenvolvidos por meio de estratégias intersetoriais que possam responder melhor às demandas de enfrentamento da pandemia. Caso o fossem, não se observaria o comportamento de redução de oferta de transporte em um momento como este, que consequentemente provoca um aumento de lotação inesperado e indesejado para o período. Junta-se a isso a falta de normas e fiscalização dos espaços públicos (praias, parques, festas, dentre outros), os quais, juntos, contribuem fortemente para amplificar a infecção pelo SARS-CoV-2 — afirmou ele, em publicação da UFRJ.

Procurada, a Secretaria municipal de Saúde afirmou que vai analisar as propostas.

Sobre as propostas, a Rio Ônibus citou primeiro problemas que seu setor enfrenta, como congelamento de tarifa há dois anos e expansão de setor clandestino, que levaram ao "colapso econômico-financeiro" das empresas de ônibus do Rio. Por isso, diz que a "sugestão de aumento de frota não é factível", por falta de capacidade de investimento na aquisição de novos veículos. Sobre as janelas, a Rio Ônibus respondeu que a maioria dos veículos tem janelas que podem ser abertas, mas que há veículos com janelas blindadas e nesse caso opta-se pela abertura da escotilha de teto.

Já o MetrôRio disse que sua operação segue em "pleno funcionamento", com horário regular e frota igual ao período pré-pandemia nos horários de pico. Sobre as medidas de segurança, todas estações possuem dispensadores de álcool gel e os trens e estações vêm sendo higienizados regularmente. Como abertura de janelas é inviável, o MetrôRio explicou que seu sistema de ar-condicionado realiza filtragem do ar para retirada de partículas e que, na abertura de portas nos desembarques, há troca de ar.