Preparado psicologicamente para 2021? Especialistas dão dicas de como se planejar

Carolina Ribeiro
·3 minuto de leitura

RIO — Os efeitos da pandemia do coronavírus foram intensos, levando muitos brasileiros a desenvolverem transtornos como ansiedade, depressão e compulsão. Com a chegada do fim do ano, porém, cresce a falsa sensação — e até certa esperança — de que esta crise será encerrada logo após a virada para 2021, mas não é bem assim... Isto não quer dizer, no entanto, que aquela máxima “ano novo, vida nova” não possa ser seguida.

— Ter um planejamento e a percepção da realidade são importantes para o bem-estar. As pessoas precisaram se adaptar psicologicamente em meio ao susto deste ano, e o que temos agora é incerteza, mas isso pode ajudar na preparação — explica a psicóloga Daniela Faertes.

Para o planejamento, ensina, devem ser estipulados pelo menos dois cenários, sempre de acordo com o que é vital para cada um. Se a expectativa é a vacinação, estipule uma data no início do ano e outra no final, por exemplo, e trace possibilidades para ambas. O mesmo vale para outros planos, como a melhora da economia ou um novo emprego:

— Não é ser otimista, pessimista ou realista. Num cenário de incerteza, é preciso lidar com as variáveis. É mais saudável do que traçar apenas uma estratégia e tomar outro susto.

Uma pesquisa do Ministério da Saúde revelou que oito em cada dez brasileiros sentiram algum transtorno de ansiedade entre abril e maio. Outra, da Fiocruz, mostrou que ansiedade e depressão afetaram quase metade dos trabalhadores de serviços essenciais no Brasil e na Espanha, países duramente afetados pela Covid-19. Também foi registrado o aumento de casos de compulsão, como abuso de comida ou álcool.

— Procure ajuda se perceber que saiu do seu estado de normalidade, se tudo se torna muito difícil, se demora mais tempo do que antes ou se você não consegue agir no dia a dia, assim como dormir. E também se a mente não para, com pensamentos ruins ou cenários que vão muito além da realidade atual — alerta a psiquiatra Maria Francisca Mauro.

A especialista ressalta que a necessidade de um medicamento vai depender do diagnóstico de um especialista, que avaliará também a intensidade do sofrimento:

— Não espere a vacina para cuidar da sua vida, da saúde, dos estudos e das pessoas próximas a você, porque as coisas não vão voltar exatamente como eram antes. Acredito que 2021 será um ano de força e de adaptação.

A psicóloga Fabiane de Faria criou em 2016 a plataforma de consultas on-line aterapia. Até o início do ano, eram sete psicólogos, mas, na pandemia, foi preciso contratar outros 38. Neste fim de ano, a demanda voltou a crescer: em outubro, foram registradas 37 solicitações de consultas por novos pacientes; em novembro, 220; e em dezembro, até o dia 20, mais 258.

— A maioria nunca havia feito terapia, mas muitos que já tiveram transtornos também sofreram recaídas. Normalmente, teríamos uma média de 40 novos pacientes em dezembro. Costumo aconselhar meus pacientes a pensarem em metas reais e possíveis e dividirem esse objetivo final pela metade, ou criar metas mês a mês, para dar a sensação de conquista com maior frequência — aconselha, completando que enfrentar 2021 pode parecer mais fácil por estarmos agora diante de um desafio já conhecido.

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