Presídio de Porto Alegre também apresenta indícios de homicídios acobertados

Rio de Janeiro, 15 jan (EFE).- A crise carcerária que afeta os presídios do Maranhão também já chegou ao Rio Grande do Sul, onde laudos judiciais comprovam que o Presídio Central de Porto Alegre contabiliza 23 homícios que foram encobertados desde janeiro de 2010, informou nesta quarta-feira o jornal "O Globo".

Segundo o documento, os supostos assassinatos ocorreram sempre da mesma forma: presidiários jovens, sem histórico de doenças cardiovasculares, morreram de parada cardíada ou edema pulmonar, sempre durante a madrugada e com rastros de cocaína no sangue.

Entre os casos suspeitos, se encontram cinco ocorridos entre 2011 e 2013, que são investigados pelo juiz Sidnei Brzusca, que disse ter indícios de "homicídios", segundo jornal.

O Presídio Central de Porto Alegre é conhecido por seu péssimo estado de conservação e sua aglomeração, condições que o transformam em um dos piores do Brasil.

Na primeira semana de janeiro, a Corte Interamericana de Direitos Humanos ameaçou o Governo regional e pediu que tome uma série de medidas para melhorar as condições do local.

Entre outras medidas, foi ordenada a garantia de vida e da integridade física dos detentos, que sejam asseguradas as condições de higiene e os tratamentos médicos adequados e que a aglomeração seja reduzida.

A crise carcerária mais grave do país afeta o estado do Maranhão, onde foi registrado o assassinato de 62 detentos desde janeiro de 2013, normalmente com extrema violência, como decapitações.

A violência das prisões se estendeu às ruas da capital do Maranhão, onde os grupos que operam atrás das grades ordenaram no começo de janeiro ataques a ônibus urbanos.

Por causa desses ataques, o Governo realizou na semana passada uma reunião de emergência com as autoridades locais para controlar a violência no local. EFE