Presença de cardeais ligados à pedofilia no Conclave gera polêmica

Cidade do Vaticano, 19 fev (EFE).- A presença de vários cardeais acusados de tentar ocultar casos de clérigos pedófilos, um deles de Los Angeles (EUA), Roger Mahony, gerou uma onda de críticas, que levou a revista católica "Famiglia Cristiana" a perguntar a seus leitores se consideram sua presença oportuna.

"Em sua opinião: Mahony, sim ou não no Conclave", questiona o semanário da Sociedade de São Paulo (paulinos) na capa de sua última edição, desta terça-feira, com a manchete: "Conclave, explode o caso Mahoney. O cardeal acusado de casos de pedofilia estará entre os que elegerão o novo papa. Nos Estados Unidos, pede-se que renuncie ao Conclave".

"Claro que não", "não é digno de seu cargo", "é preciso impedir que participe", são algumas das respostas que dezenas de leitores do semanário católico deram à pergunta, por sua vez ressaltam a necessidade de que a Igreja dê "novos sinais" de que continuam as indicações de Bento XVI de "tolerância zero" contra a pedofilia.

Em 31 de janeiro, o arcebispo de Los Angeles, José Gómez, destituiu Mahony, prelado aposentado da arquidiocese, de todos os seus cargos por não ter denunciado alguns das centenas casos de abusos sexuais de menores cometidos por sacerdotes e pela má gestão dos mesmos.

Mahony deu a entender em seu conta no Twitter que tem intenções de participar do próximo Conclave e escreveu: "vossas preces são necessárias para que possamos escolher o melhor papa para a Igreja de hoje e de amanhã".

Nos últimos dias, a associação americana "Catholics United" já pediu que o cardeal que não participe do rito e no mesmo tom se pronunciou Kristine Ward, representante da associação de vítimas de padres pedófilos "National Survivor Advocates Coalition", que exigiu do Vaticano que impeça a participação de Mahony.

Mahony, de 77 anos, não é o único cardeal abaixo dos 80 - que, portanto, pode votar no Conclave, segundo as leis vaticanas - que está acusado de ocultar casos de clérigos pedófilos. Entre eles também está o irlandês Seán Brady, de 74 anos.

Em março de 2010, os veículos de imprensa irlandeses revelaram que em 1975, quando era sacerdote, Brady esteve presente em duas reuniões nas quais se pediu a duas crianças vítimas dos abusos do padre Brendan Smyth (que morreu em 1997, um dos mais conhecidos padres pedófilos do país) que fizessem voto de silêncio.

Brady reconheceu o fato e disse que não alertou à época nem os pais nem as autoridades civis sobre os abusos porque participou da investigação como mero administrador, "apenas para tomar notas e informar seus superiores".

O cardeal manifestou seu arrependimento e assinalou que tinha pedido ao Vaticano a nomeação de um bispo auxiliar que o ajudasse "a desenvolver o trabalho vital de cura, arrependimento e renovação, incluindo o contato com os sobreviventes de abusos".

Em 18 de janeiro, Bento XVI nomeou Eamon Martin, de 51 anos, arcebispo auxiliar de Armagh, na Irlanda, a arquidiocese presidida por Brady.

No ano passado, a imprensa belga, por sua vez, publicou um relatório policial em que garantia que o que o que fora primaz da Bélgica até janeiro de 2010, o cardeal Godfried Danneels, estava a par de cerca de 40 casos de abusos sexuais contra menores por parte de sacerdotes nas últimas décadas.

Danneels, que completará 80 anos em junho e também participará do Conclave, sempre disse que desconhecia os casos. EFE

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