'Presidência deve ter neutralidade', diz Arthur Lira, ao assumir comando da Câmara

Natália Portinari e Bruno Góes
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Pablo Jacob / Agência O Globo

BRASÍLIA - Em discurso após ser eleito presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) defendeu a "neutralidade" da presidência e prometeu ouvir os deputados de centro, esquerda e direita em sua gestão. Lira foi eleito após forte interferência do governo Jair Bolsonaro, que cedeu emendas e retaliou opositores do candidato.

— Meus irmãos e irmãs brasileiros de todo o país. Sei o peso e a dimensão da responsabilidade que vossas excelências acabam de me delegar ao me eleger para presidir essa Casa pelos próximos dois anos — disse Lira após a eleição.

No discurso, disse fazer questão de iniciar a jornada com um "gesto simbólico": ficar de pé ao lado da cadeira da presidência. Durante a campanha, ele criticou diversas vezes Rodrigo Maia por ter sido um presidente centralizador.

— É um gesto de respeito a esse plenário.

Lira afirmou ainda que "a glória é efêmera" e que irá servir ao país com dedicação nesse "momento de enorme angústia" do povo brasileiro. Pediu um "momento de silêncio" em respeito às "vidas ceifadas" pela Covid-19.

— Não me confundo com essa cadeira e jamais irei me confundir. Sou um deputado igual a todos. Não sou e não serei a cadeira que irei ocupar ao longo dessa legislatura.

Lira disse que a Câmara é "a espinha dorsal do regime democrático" e que o formato do plenário, circular e plano, remete ao fato de que a presidência deve ter neutralidade e ser equidistante de todos os grupos do espectro ideológico.

— A cadeira deve ser giratória. Para que seus ocupantes sejam capazes de olhar para o centro, a esquerda e a direita. Tem que olhar e ouvir todos os lados.