Presidência do Senado: seis dias após almoço com Bolsonaro, Pacheco se reúne com PT

Paulo Cappelli
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Divulgação/ Senado

BRASÍLIA - Seis dias após almoçar com o presidente Jair Bolsonaro, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-AP), que disputa a presidência do Senado, reuniu-se nesta quarta-feira com a bancada do PT. Pacheco é apoiado pelo atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que tem ótima relação com Bolsonaro e intermediou o almoço na semana passada. O principal adversário de Pacheco será anunciado após decisão do MDB, que conta até o momento com quatro pré-candidatos na própria legenda.Nesta quarta, na conversa com os quatro senadores do PT, Pacheco evitou se colocar como um nome alinhado com o Planalto. Ele foi o primeiro candidato a ser recebido pelo PT, que poderá já fazer o anúncio oficial sobre sua posição na semana que vem.- Em nenhum momento ele (Pacheco) falou sobre Bolsonaro. Falou na importância de defender as liberdades, a democracia e a Constituição. Quando o indagamos, ele disse ter compromisso com a pauta racial e os direitos humanos. Colocou-se como candidato independente que tem o apoio do Davi. Pelo (prestígio) que o Davi conquistou no Senado, Pacheco é muito favorito no pleito - disse o senador Paulo Paim (PT-RS).O GLOBO apurou que Pacheco conta com a simpatia de partidos de oposição, como PT e Rede, e governistas, como PP e PSD. Pela oposição do Senado, Pacheco é visto como um candidato "independente", diferentemente do deputado Arthur Lira (PP-AL), que, pela oposição da Câmara, é visto como um nome mais alinhado com Bolsonaro.Na reunião com petistas, Pacheco se mostrou aberto a uma "composição ampla" para a mesa diretora do Senado, "independentemente de questão partidária", o que, na prática, abriria espaço para um posto de destaque para o PT. Pacheco também disse que adotará o critério da proporcionalidade para distribuir relatoria de comissões.- O PT se reunirá novamente na segunda-feira. A decisão poderá sair já na segunda, terça-feira. Caso outros candidatos peçam reunião, podemos fazer o anúncio mais para frente - disse Paim, reforçando que, até o momento, Pacheco foi o único candidato a pedir reunião com a bancada.

No MDB, Eduardo Braga, Simone Tebet, Eduardo Gomes e Fernando Bezerra disputam a preferência interna do partido para se lançar candidato. O consenso é que o nome que agregar mais apoios fora do MDB será oficializado na disputa. Como Bolsonaro tem boa relação com Braga, Gomes e Bezerra, não apoiará explicitamente Pacheco na disputa caso um dos três emedebistas saia candidato - os dois últimos são, respectivamente, líder do governo no Congresso e no Senado.

Cenário diferente do que ocorrerá caso Simone Tebet, que tem postura mais crítica ao governo, seja a escolhida. A eleição ocorrerá em fevereiro.

- Bolsonaro será cauteloso. Somos três nomes próximos - disse um dos pré-candidatos do MDB alinhados com o Planalto.

Nessa disputa interna, pré-candidatos do MDB alinhados com o Planalto já cogitam se unir. Desta forma, as chances de superar Simone Tebet aumentariam. A senadora conta com a simpatia de senadores mais críticos a Bolsonaro, de partidos como PSDB e Podemos, por exemplo.

Alcolumbre perto de ministério

O atual presidente do Senado, por sua vez, está perto de ocupar um ministério de Bolsonaro. Ao GLOBO, interlocutores de Alcolumbre afirmam que o senador já aceitou a proposta e deverá anunciar a ida para o Planalto em fevereiro, após a eleição no Senado. Entre os ministérios cotados, estão o de Minas e Energia e a Secretaria de Governo