Presidenciais de 2024 roubam atenções, enquanto contagem dos votos continua nos EUA

Os resultados finais das eleições de meio de mandato ainda eram aguardados nesta quinta-feira (10) nos Estados Unidos, onde Joe Biden comemorou que os democratas tenham frustrado as previsões de uma derrota esmagadora, mas as atenções já parecem se voltar para as eleições presidenciais de 2024.

O presidente democrata provavelmente terá que enfrentar uma Câmara dos Representantes controlada pelos republicanos, o que complicará o resto de seu mandato, mas a vitória de seus adversários parece ser muito mais apertada do que eles pensavam.

O controle do Senado ainda é incerto. De fato, a composição final da Câmara alta agora depende de três cadeiras e só será conhecida em algumas semanas. No Arizona e Nevada, a contagem de votos pode levar vários dias. Na Geórgia, um segundo turno está marcado para 6 de dezembro entre o atual senador democrata Raphael Warnock e o ex-astro do futebol americano Herschel Walker.

Biden, que completa 80 anos este mês, comemorou na quarta-feira o que disse considerar um sucesso para seu partido: evitar uma vitória republicana, dada como certa devido ao clima econômico tempestuoso no país.

"Embora a imprensa e os especialistas previssem uma onda vermelha gigante, isso não aconteceu", comemorou Biden, referindo-se à cor que identifica os republicanos.

Trump, que apostava em uma vitória retumbante para anunciar sua candidatura à reeleição, reconheceu na quarta-feira em sua rede social, a Truth Social, que os resultados foram "um tanto decepcionantes".

"Para aquelas pessoas que estão recebendo a falsa narrativa da mídia corrupta de que estou irritado com as eleições, não acreditem. Não estou com raiva, fiz um ótimo trabalho (eu não estava concorrendo!) e estou muito ocupado olhando para o futuro. Lembrem-se, sou um 'gênio estável'", disse ele.

- Corrida para 2024 -

Biden, que já é o presidente mais velho da história dos Estados Unidos, insistiu que planeja concorrer a um segundo mandato em novembro de 2024, apesar dos pedidos de alguns membros do partido para que ele se afaste e entregue as rédeas a uma nova geração de líderes.

Ele prometeu uma decisão final "no início do próximo ano".

Uma derrota acachapante nas urnas certamente levantaria questões sobre se Biden deveria concorrer novamente. Em vez disso, o presidente se saiu melhor do que seus dois antecessores democratas, Barack Obama e Bill Clinton, que levaram uma surra em suas primeiras eleições de meio de mandato.

Trump, de 76 anos, prometeu um "grande anúncio" na Flórida na terça-feira, que deve ser o lançamento de sua campanha oficial para a indicação presidencial republicana de 2024.

A entrada antecipada do ex-presidente na corrida parece ter sido projetada para evitar possíveis acusações no tribunal pela gestão indevida de documentos ultrassecretos da Casa Branca, pela tentativa de anular a eleição de 2020 e pelo ataque de 6 de janeiro ao Capitólio por seus apoiadores.

Trump também pode ter a intenção de minar seu principal adversário em potencial para a indicação presidencial republicana, o governador da Flórida Ron DeSantis, que emergiu como um dos maiores vencedores nas eleições de meio de mandato de terça-feira, quando foi reeleito.

"A intenção (de Trump) é solidificar seu apoio cedo e eliminar outros candidatos em potencial", disse Jon Rogowski, professor de ciência política da Universidade de Chicago.

- "Ron De-Sanctimonious" -

DeSantis, 44 de anos, advogado formado em Harvard e Yale, obteve uma vitória de quase 20 pontos sobre seu oponente democrata na disputa pelo governo da Flórida e conquistou uma série de vitórias republicanas em outras eleições na Flórida.

"Não só vencemos a eleição, como reescrevemos o mapa político", disse DeSantis. "Ainda temos muito a fazer e eu só estou começando a lutar."

Embora DeSantis tenha emergido como o principal rival de Trump para a indicação republicana, o ex-presidente continua dominando as pesquisas quando os republicanos são questionados sobre quem eles querem que representem o partido na corrida à Casa Branca em 2024.

É claro que Trump tem o governador da Flórida, um ex-aliado, na mira: o magnata se refere a DeSantis com o apelido pejorativo "Ron De-Sanctimonious", fazendo um jogo de palavras com seu sobrenome e a palavra "sanctimonius", que significa hipócrita em inglês; e menospreza sua vitória eleitoral.

"Não deveriam lembrar que em 2020 eu obtive 1,1 milhão de votos a mais na Flórida do que Ron D obteve este ano, 5,7 milhões a 4,6 milhões?", questionou Trump em sua plataforma Truth Social. "É só uma pergunta".

Questionado na quarta-feira sobre a rivalidade entre Trump e DeSantis, o presidente Biden se limitou a dizer que "será divertido ver como eles se enfrentam".

No Senado, o democrata John Fetterman derrotou o candidato apoiado por Trump, Mehmet Oz, para conquistar a vaga na Pensilvânia após uma das lutas mais acirradas das eleições de meio de mandato.

Mesmo com uma pequena maioria na Câmara dos Representantes, os republicanos terão poder de supervisão significativo e prometeram usá-lo para iniciar investigações sobre Biden e sua comitiva.

cjc/tjj/md/mca/dga/am/mvv