Candidatos condenam atentado contra Cristina Kirchner; Bolsonaro não se manifestou

Apoiadores se reúnem em frente à casa de Cristina Kirchner após ataque; presidenciáveis brasileiros se manifestaram (REUTERS/Agustin Marcarian)
Apoiadores se reúnem em frente à casa de Cristina Kirchner após ataque; presidenciáveis brasileiros se manifestaram

(REUTERS/Agustin Marcarian)

  • Sete candidatos à Presidência do Brasil repudiaram o atentado contra Cristina Kirchner;

  • Presidenciáveis definiram como “radicalismo cego”, “escalada fascista” e “ameaça à democracia”;

  • Jair Bolsonaro e outros dois ainda não se pronunciaram.

Sete candidatos à Presidência do Brasil repudiaram, na manhã desta sexta-feira (2), o atentado contra Cristina Kirchner. A vice-presidente da Argentina foi alvo de tentativa de assassinato, na noite anterior, quando um brasileiro identificado como Fernando Sabag Montiel apontou uma arma para a cabeça dela e apertou o gatilho. O disparo, no entanto, falhou.

Até o momento, Lula (PT), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Soraya Thronicke (União Brasil), Sofia Manzano (PCB), Léo Péricles (UP) e Felipe d'Avila (Novo) condenaram o ataque, prestando solidariedade a Kirchner e definindo o episódio, entre outras coisas, como “radicalismo cego”, “escalada fascista” e “ameaça à democracia”.

O presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, ainda não se pronunciou oficialmente. Além dele, Pablo Marçal (Pros) e José Maria Eymael (DC) não comentaram o caso até a publicação desta reportagem.

O que disse cada presidenciável

Veja abaixo, em ordem alfabética, o que cada candidato publicou sobre o episódio:

Ciro Gomes (PDT): "O atentado frustrado a Cristina Kirchner por pouco não transforma em chuva de sangue a nuvem de ódio que se espalha pelo nosso continente. Nossa solidariedade a esta mulher guerreira que com certeza não se intimidará. Para nós, fica a lição de onde pode chegar o radicalismo cego, e como polarizações odientas podem armar braços de loucos radicais ou de radicais loucos. Ainda há tempo de salvar o Brasil de uma grande tragédia gerada pelo ódio. Paz!"

Felipe d'Avila (Novo): "O atentado à vice-presidente argentina @CFKArgentina é absolutamente inaceitável. A violência da cena impressionou a todos nós. Não há divergência ideológica que justifique ou normalize qualquer ato de violência”.

Léo Péricles (UP): "Toda solidariedade a Cristina Kirchner, vice-presidenta da Argentina que sofreu uma tentativa de assassinato essa noite. Para deter essa escalada fascista, que não respeita leis e democracia, temos que seguir a reação do povo argentino. Dia 07/09 temos que ocupar as ruas em todo Brasil!"

Lula (PT): "Toda a minha solidariedade à companheira @CFKArgentina, vítima de um fascista criminoso que não sabe respeitar divergências e a diversidade. A Cristina é uma mulher que merece o respeito de qualquer democrata no mundo. Graças a Deus ela escapou ilesa. Que o autor sofra todas as consequências legais. Esta violência e ódio político que vêm sendo estimulados por alguns é uma ameaça à democracia na nossa região. Os democratas do mundo não tolerarão qualquer violência nas divergências políticas”.

Simone Tebet (MDB): "Violência política no Brasil, violência política na Argentina. É preciso dar um basta a tudo isso. As lideranças devem recriminar essas atitudes. Ainda bem que a arma falhou. Que tristeza! Reafirmo minha posição pela paz na política, pela paz nas eleições”.

Sofia Manzano (PCB): "Minha total solidariedade com Cristina Kirchner, vice-presidenta da Argentina, vítima de tentativa de assassinato”.

Veja as últimas pesquisas eleitorais para presidente:

Soraya Thronicke (União Brasil): "Quando falo em reforçar a segurança, não é exagero. Não podemos subestimar do que o ódio é capaz. Na campanha de 2018 usei colete a prova de balas e termino esta 5ª lamentando o atentado contra Cristina Kirchner, vice-presidente da Argentina. Que Deus olhe por nós”.

Vera Lúcia (PSTU): "Repudio o atentado e tentativa de assassinato da Cristina Kirchner".

Entenda o caso

O ataque à Kirchner aconteceu em Buenos Aires, em frente à casa dela, no bairro da Recoleta. A vice conversava com apoiadores quando foi abordada por um homem armado. Imagens divulgadas pela imprensa mostram o exato momento em que ele aponta uma pistola Bersa 380, calibre 32, para ela.

Na hora de apertar o gatilho, o suspeito tirou a máscara e deixou o rosto visível. Após a tentativa de assassinato falhar, ele tentou fugir, mas sem sucesso. O homem foi preso e levado a uma delegacia em Buenos Aires.

Devido ao episódio, o presidente Alberto Fernández decretou feriado nacional da Argentina “para que, em paz e harmonia, o povo argentino possa expressar-se em defesa da vida, da democracia e solidarizar-se com nossa vice-presidente", disse em pronunciamento em rede nacional.

Para Fernández, o ataque ocorreu por conta do “discurso de ódio que tem sido espalhado a partir de espaços políticos, judiciais e midiáticos". "Estamos diante de um fato com uma gravidade institucional e humana extrema. Atentaram contra a nossa vice-presidente e a paz social foi alterada", manifestou, acrescentando que "este atentado merece o mais enérgico repúdio de toda a sociedade argentina e de todos os setores políticos".

Ao que tudo indica, Fernando André Sabag Montiel tem 35 anos e possui antecedentes criminais envolvendo armas: foi acusado, em março de 2021, por contravenção pelo porte de arma não convencional, no bairro de La Paternal, onde possuiria residência. Na ocasião, o brasileiro foi flagrado com uma faca e alegou às autoridades na época que era para uso e defesa pessoal.