Presidente argentino quer acompanhar Morales na posse de Arce na Bolívia

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Evo Morales e Alberto Fernández, em reunião em Santa Cruz de la Sierra, em setembro de 2019
Evo Morales e Alberto Fernández, em reunião em Santa Cruz de la Sierra, em setembro de 2019

O presidente argentino, Alberto Fernández, expressou nesta quarta-feira (21) seu desejo de acompanhar o ex-presidente da Bolívia Evo Morales na posse de Luis Arce e acusou a OEA de cumplicidade em um "golpe de Estado" para tirar Morales do poder em 2019.

"Gostaria de ir à posse de 'Lucho' Arce. Meu maior desejo é acompanhar Evo no retorno da Argentina à sua pátria", ainda sem data, disse Fernández à rádio El Destape.

O líder argentino celebrou que "a democracia voltou na Bolívia, porque é um instrumento muito importante para transformar as injustiças do continente".

"Estou convencido que Evo Morales ganhou as eleições (em 2019), mas o tiraram do poder e o obrigaram a se exilar com risco de vida, assim como muitos bolivianos que precisaram escapar", afirmou Fernández.

O presidente argentino considerou que "o golpe (de Estado) na Bolívia foi um evento muito traumático para a região".

"Com a cumplicidade da OEA, construíram uma mentira para tirar Evo do poder, devemos celebrar que a democracia foi recuperada na América Latina", disse Fernández.

Morales renunciou à presidência da Bolívia em 10 de novembro de 2019, depois de perder o apoio das Forças Armadas em meio a uma crise desencadeada após a auditoria da OEA que estabeleceu que houve "manipulação dolosa" a favor de Morales na eleição em que buscava seu quarto mandato consecutivo.

Morales viajou primeiro para o México e depois para a Argentina como refugiado.

"Os direitos humanos na Bolívia também foram questionados e também houve a lógica da perseguição judicial contra os opositores; mas ninguém conseguiu parar a força do voto", destacou Fernández.

No último domingo, Arce - herdeiro político de Morales - venceu por maioria no primeiro turno. Segundo a contagem oficial e com 84% das urnas apuradas, totalizou mais de 53% dos votos, à frente do ex-presidente centrista Carlos Mesa (29%).

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