Presidente do Bahia não liga saída de Mano Menezes a comportamento com Gerson

Igor Siqueira
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Felipe Oliveira/ Bahia

O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, explicou como se deu o processo de demissão do técnico Mano Menezes, após a derrota de virada, por 4 a 3, diante do Flamengo, no Maracanã. O dirigente conversou com o GLOBO a respeito daquele que considera "o pior dia como presidente" do clube.

Mas isso se dá não pela derrota no Rio, e, sim, por precisar lidar com a denúncia de injúria racial contra Ramírez, meia do tricolor baiano. O fato foi revelado após a partida pelo meia Gerson. Bellintani diz que não sabia do teor da confusão quando desceu ao vestiário do Maracanã e teve uma conversa com o treinador, que culminou com a saída dele. Como substituto, o Bahia já anunciou Dado Cavalcanti.

- O Mano me procurou. Eu não sabia ainda dos fatos. A demissão dele não teve relação direta com os fatos. Quando conversei com ele, não tinha ideia do que tinha acontecido. A decisão da demissão não foi em função disso porque eu nem tinha conhecimento. Eu encontrei com ele fora do vestiário. Ele fez o questionamento sobre continuidade do trabalho, mudança. A gente debateu de uma forma muito franca. Em comum acordo, concluímos que seria melhor interromper o trabalho - falou Bellintani.

No episódio específico envolvendo Gerson, a atitude de Mano Menezes foi questionada por ter dito que o jogador estava apelando para a "malandragem" ao se revoltar com a frase "cala boca, negro", que teria sido dita por Ramírez. O presidente do Bahia conta que viu as imagens depois.

- Eu avalio que o clima todo estava muito tenso. Houve palavras, pelo que eu ouvi, que de certa forma não eram adequadas para o momento. Mas longe de mim ser covarde para dizer que a demissão aconteceu por causa disso. Não foi. Se fosse, eu diria. E se tivesse tido conhecimento disso, talvez até pudesse achar que isso colaboraria. Mas não foi o caso. Não vou querer me projetar e dizer que o Bahia tomou a decisão por causa disso. Não é verdade. Mas não quer dizer que eu tenha achado normal tudo o que foi dito ali - afirmou o dirigente.

Na entrevista ao GLOBO, Belliintani também deu mais detalhes sobre a condução da investigação interna para apurar o episódio envolvendo Ramírez e cita que o futebol é muito benevolente com racismo.