Presidente do Banco do Brasil entrega o cargo

Manoel Ventura e Geralda Doca
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O presidente do Banco do Brasil, André Brandão, entregou o cargo oficialmente, na noite desta quinta-feira. Ele estava sendo pressionado a deixar o cargo desde que anunciou uma reestruturação no BB. O executivo deixará a posição até 1º de abril.

O novo nome será indicado pelo presidente Jair Bolsonaro. O principal nome para ocupar a vaga é o atual presidente da Caixa Seguridade, Eduardo Dacache, preferido pela equipe econômica. Ele enfrenta resistência da cúpula do BB, que avalia que há conflito de interesses porque os dois bancos públicos concorrem.

"O Banco do Brasil (BB) comunica que o Sr. André Guilherme Brandão entregou, nesta data, ao Exmo. Sr. Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, ao Exmo. Ministro da Economia, Paulo Roberto Nunes Guedes, e ao Ilmo. Presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil, Hélio Lima Magalhães pedido de renúncia ao cargo de presidente do BB, com efeitos a partir de 01 de abril de 2021", diz texto divulgado pelo BB.


No mês passado, Brandão já havia indicado a interlocutores que deixaria o cargo, no fim de fevereiro. Ele esperou para deixar o cargo a espera de uma manifestação pública de apoio por parte de Guedes ou de outro integrante do governo.

Como isso não aconteceu e Bolsonaro já tinha deixado claro a intenção de substituir, Brandão chegou a concluão que sua saída era questão de tempo. Ele alegou a interlocutores que não queria ser um "presidente provisório".

Brandão estava desconfortável no cargo desde quando surgiram informações de que Bolsonaro queria substitui-lo.

A situação de Brandão está delicada desde janeiro, quando ele anunciou um plano de reestruturação do banco, com o fechamento de 361 agências em vários municípios e programa de demissão voluntária. A medida desagradou Bolsonaro, que pediu a cabeça do executivo. Mas a demissão não se concretizou. Bolsonaro fora alertado que a União poderia ser responsabilizada por acionistas minoritários se houvesse prejuízo na instituição.

Brandão pôs o cargo à disposição uma semana depois de o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, ter sido demitido por Bolsonaro em um post em redes sociais, já anunciando o substituto, o general do Exército Joaquim Silva e Luna, que atualmente é diretor-geral da parte brasileira da usina de Itaipu.

O executivo, que assumiu o cargo em setembro do ano passado, quis evitar esse tipo de constrangimento.

Executivo de mercado, tendo feito carreira no exterior no HSBC, é chamado de “gringo” nas rodas de conversas no Palácio e não se enturmou em Brasília. Ele não é de muita conversa, disse uma fonte próxima, e fica visivelmente desconsertado em eventos com políticos, como jantares.