Presidente do BC critica reajustes da Petrobras; empresa diz seguir mercado

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 01.10.2020 - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 01.10.2020 - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, criticou nesta terça-feira (14) a velocidade com que a Petrobras reajusta os preços dos combustíveis, produtos que vêm pressionando a inflação.

Ao falar sobre como a volatilidade no câmbio afeta a inflação, ele afirmou que a estatal repassa as variações aos combustíveis de forma muito mais rápida que em outros países.

"No Brasil o mecanismo é um pouco mais rápido [de repasse], lembrando que a Petrobras passa preços muito mais rápido do que grande parte dos outros países, a gente tem olhado isso também", afirmou Campos Neto nesta terça-feira (14), em evento promovido pelo BTG Pactual.

A Petrobras afirma em seu site que a política de preços que adota tem como base o preço de paridade de importação, que é formado por cotações internacionais e custos que importadores teriam para trazer combustível de fora ao Brasil, como transporte e taxas portuárias, além de margem para cobrir eventuais riscos.

Também nesta terça, em audiência na Câmara dos Deputados, o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, rebateu críticas e disse que o preço dos combustíveis inclui o custo de produção da empresa e que uma eventual intervenção estatal nos valores precisaria ser compensada pelos cofres públicos. Segundo ele, não há espaço para “aventura”.

“A Petrobras é uma sociedade de economia mista sujeita a uma rigorosa governança. Não tem espaço para qualquer tipo de aventura dentro da empresa, não tem”, afirmou, logo depois de apresentar cálculos sobre a composição do preço dos combustíveis.

A avaliação foi feita um dia após o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ter questionado o peso dos preços dos combustíveis no bolso dos consumidores e afirmado que a Petrobras deve ser lembrada de que seus acionistas são os brasileiros.

Em rede social, Lira escreveu na segunda-feira (13): “Tudo caro: gasolina, diesel, gás de cozinha. O que a Petrobras tem a ver com isso? Amanhã, a partir das 9h, o plenário vira Comissão Geral para questionar o peso dos preços da empresa no bolso de todos nós.”

“A Petrobras deve ser lembrada: os brasileiros são seus acionistas”, complementou, na mesma mensagem.

Os aumentos do preço da gasolina vêm pressionando o IPCA (índice oficial de preços). Em agosto, o índice avançou 0,87%, a maior taxa em 21 anos. Oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE subiram em agosto, com destaque para o segmento de transportes. Puxado pelos combustíveis, esse ramo registrou a maior variação (1,46%) e o maior impacto (0,31 ponto percentual) no índice geral do mês.

​Bolsonaro tem sido constantemente cobrado pelo encarecimento dos combustíveis e do gás de cozinha. Em alguns locais do país, o litro da gasolina já chega a R$ 7, enquanto o botijão de gás de cozinha passa de R$ 100.

No evento do BTG, Campos Neto afirmou ainda que a alta no preço das commodities associada a elevação do dólar também pressionou a inflação.

"Tivemos um processo em que a parte de commodities pegou mais rápido e veio junto com a desvalorização no câmbio, que fez com que preços de commodities em reais ficassem maior no país", disse.

O titular do BC falou ainda sobre os choques climáticos. "Tivemos problemas de dinâmica interna, um problema hídrico. A parte climática afetou bastante, tivemos uma onda de calor na América do Sul, depois geada e depois chuvas. Problemas climáticos têm impactos na inflação, a realidade está mostrando, no nosso caso foram consecutivos", ressaltou.

Sobre o câmbio, Campos Neto disse que teve maior volatilidade em 2020 e que, neste ano, parte da variação está associada "a uma compra estrutural no fim do ano", em referência ao chamado overhedge, proteção cambial adicional adotada por bancos que precisa ser desfeita na virada no ano e implica compra de dólares.

"O BC vai ter que atuar para fazer frente a essa demanda pontual", avaliou.

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