Presidente da Bielorrússia ironiza 'excepcionalismo' americano

MOSCOU - Crítico frequente dos Estados Unidos, o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, não iria perder a chance de ironizar um dos mais fortes conceitos do orgulho nacionalista americano: o excepcionalismo. No mês passado, Barack Obama fez uso de tal teoria para defender uma intervenção militar contra o uso de armas químicas na Síria, argumentando que o excepcionalismo da "América" supõe o compromisso dos EUA com os valores democráticos e uma obrigação de promovê-los no mundo. Em entrevista à emissora 24KZ, do Cazaquistão, Lukashenko disse ter se surpreendido com a declaração do presidente americano, salientando que a escravidão foi abolida há relativamente pouco tempo nos EUA.

- Obama me surpreende. Não faz muito tempo que os negros dos EUA eram escravos, e agora fala-se em algum tipo de excepcionalidade - disse Lukashenko, descrito por analistas como o último ditador da Europa. - Eu nunca pensei que uma pessoa proveniente desses estratos (sociais) pobres poderiam usar esse tipo de retórica - alfinetou.

Lukashenko é duramente criticado por grupos de direitos humanos por sua repressão aos dissidentes na ex-república soviética da Bielorrússia. O presidente russo, Vladimir Putin, um dos poucos aliados da Bielorrússia e mais forte protetor internacional do presidente sírio Bashar al-Assad , colocou o conceito de excepcionalidade em questão em um editorial do "New York Times" no mês passado. O país tem crescido cada vez mais isolado devido a viagens União Europeia e ativos a proibição de pessoas e empresas associadas ao seu governo.

Carregando...

Siga o Yahoo Notícias