Presidente colombiano diz que eleições na Venezuela 'não serão livres' ou 'democráticas'

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O presidente colombiano Iván Duque na Embaixada da Colômbia em Paris em 3 de novembro de 2021 (AFP/STEPHANE DE SAKUTIN)

As próximas eleições regionais na Venezuela não serão "livres" nem "democráticas", afirmou à AFP nesta quarta-feira (3) o presidente colombiano Iván Duque, que também falou sobre os "desafios" pendentes dos acordos de paz com as Farc e da luta contra o narcotráfico.

“Não serão livres, não serão democráticas”, disse Duque durante entrevista em Paris, referindo-se às eleições marcadas para 21 de novembro, nas quais os principais partidos da oposição decidiram participar após anos de boicote.

Para Duque, “é a mesma estratégia que Maduro sempre busca: fraturar um setor da oposição, convidá-los às eleições, deixá-los ganhar quatro, cinco ou seis governadores para que pareça um democrata aos olhos do mundo e perpetuar sua ditadura".

“Claramente, o renascimento da democracia na Venezuela só vai começar no dia em que Nicolás Maduro deixar o cargo que exerce como ditador”, acrescentou.

Durante sua visita relâmpago à França, depois de participar da Conferência do Clima da ONU (COP26) em Glasgow, Escócia, o chefe de Estado colombiano se encontrou com seu par francês, Emmanuel Macron, com quem também discutiu a situação na Venezuela.

O inquilino da Casa de Nariño, cujo mandato vai até agosto de 2022, destacou a visão compartilhada com Macron em aspectos como o combate às mudanças climáticas e garantiu que a relação bilateral "está em seu ponto histórico mais alto".

O presidente francês prometeu que seu país, junto com seus parceiros da União Europeia, continuará a apoiar "as forças democráticas na Venezuela em seus esforços para conseguir eleições livres e transparentes".

- Acordos de paz -

Os dois líderes também abordaram o processo de paz, cinco anos após os acordos entre o governo do presidente colombiano Juan Manuel Santos e a extinta guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Duque reconheceu à AFP ter posições conflituosas, considerando que a "grande maioria" dos ex-combatentes "entrou no caminho da legalidade", com o apoio também das autoridades, mas afirmou que ainda há "desafios" pendentes .

“Acredito que seja necessária uma reparação material e econômica mais efetiva por parte dos perpetradores. Em segundo lugar, não podemos negar as dissidências das Farc”, disse o governante, para quem também falta descobrir a verdade sobre os abusos de menores.

A Colômbia vive o pior surto de violência desde o desarmamento das Farc. Dissidentes, o Exército de Libertação Nacional (ELN) e grupos armados de origem paramilitar brigam em várias regiões pelos lucros do narcotráfico, extorsão e mineração ilegal.

Duque destacou na entrevista que não negociará com o ELN até que cessem "todos os atos criminosos" e todos os reféns sejam libertados, pois seria como "validar" seus "crimes atrozes" como um "mecanismo de pressão sobre o Estado”.

O presidente colombiano ressaltou ainda que o combate às drogas passa também pelos países consumidores. "Quantas campanhas de dissuasão eles estão fazendo? Quantas prisões estão fazendo contra os traficantes de drogas em muitos dos países mais desenvolvidos?", questionou Duque, que defendeu a "co-responsabilidade" nessa luta.

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