Na COP-25, premier espanhol diz que só 'fanáticos' negam mudanças do clima

Daniela Chiaretti*, do Valor

MADRI — "Por sorte, hoje em dia, só um punhado de fanáticos nega as evidências", disse o premier espanhol, Pedro Sánchez, anfitrião da COP-25, a Conferência do Clima que o Brasil do presidente Jair Bolsonaro não quis sediar e o Chile de Sebastián Piñera não pôde.

Depois foi a vez de Nancy Pelosi, a presidente do Congresso dos Estados Unidos, a liderar a resistência climática aos movimentos de Donald Trump.

Pelosi chefia uma delegação de 15 senadores e deputados democratas que tem mais impacto do que a delegação americana, composta de funcionários do segundo escalão e chefiada por Marcia Bernicat, subsecretária adjunta de Estado para assuntos científicos.

A delegação de Pelosi, por sua vez, tem parlamentares da Califórnia, do Texas, do Oregon, de Michigan, da Flórida. Alguns presidem comitês da Energia e Comércio, da Ciência e Tecnologia, da Crise Climática e dos Recursos Naturais na Câmara.

— Acompanho esta agenda desde 1992, no Rio de Janeiro — disse Pelosi. Ao ser questionada sobre como lidar com os "fanáticos"mencionados pelo presidente espanhol, a democrata americana respondeu: "Ciência, ciência, ciência".

O senador Sheldon Whitehouse, de Rhode Island, afirmou que a delegação quer sinalizar a existência de um "amplo consenso", nos EUA, em favor da ação climática nos Estados e nas cidades.

— Irá prevalecer a América que vocês conhecem, da liderança, do progresso, da confiança, da energia limpa. Ainda estamos aqui, e voltaremos — acrescentou, com mensagem explícita à decisão recente de Trump de iniciar a formalização da saída dos EUA do Acordo de Paris.

A parlamentar Kathy Castor, da Flórida, que preside a comissão da Crise Climática no Congresso, disse que os governos locais "estão comprometidos com a ação climática" e trabalhando "em um plano nesta direção".

Diretora executiva da CAN International, a rede de mais de 1.300 ONGs em 120 países que lidam com mudança do clima, Tasneem Essop disse que a COP-25 "não acontece no vácuo".

— Estamos vendo as pessoas indo às ruas pedindo ação climática — seguiu, referindo-se ao grande movimento dos jovens que fazem greve pelo clima, e que reúne marchas na Europa e nos Estados Unidos. — Não se pode ter as transformações críticas que precisamos sem colocar as pessoas no centro deste processo. É preciso garantir a justiça climática.

* A jornalista viajou à COP-25 a convite do Instituto Clima e Sociedade (iCS)