Presidente curdo dá novos passos para plebiscito de independência

Bagdá, 3 jul (EFE).- O presidente da região autônoma do Curdistão iraquiano, Massoud Barzani, pediu nesta quinta-feira ao Parlamento que fixe uma data para realizar um plebiscito nas zonas em disputa com Bagdá, como primeiro passo para uma futura consulta de independência.

Barzani segue assim com sua iniciativa de realizar um plebiscito apesar de ontem o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, rejeitar esta possibilidade "inconstitucional" e pedir aos curdos que não se aproveitem da atual crise para tentar a independência.

Em uma sessão da câmara, Barzani pediu aos deputados curdos que tramitem "o mais rápido possível" um projeto de lei para que o governo regional forme uma comissão eleitoral que supervisione dito plebiscito nas zonas em disputa como a cidade petrolífera de Kirkuk.

O deputado curdo e membro do partido de Barzani, Mohama Khalil, explicou à Agência Efe que primeiro será realizada uma consulta nessas zonas para que determinem se aderem ao Curdistão ou continuam dependendo de Bagdá.

Depois disso, uma vez estabelecidas as novas fronteiras da região autônoma, será realizado um plebiscito sobre a independência do Iraque.

"A vontade do povo curdo é a declaração de um estado curdo", assegurou o parlamentar, que acrescentou que não querem "seguir sendo reféns de Bagdá".

Há dois dias, Barzani já anunciou seus planos para realizar nos "próximos meses" um plebiscito sobre a independência dessa região autônoma, alegando que é um direito dos curdos.

Por outro lado, o presidente curdo insistiu hoje que as forças de segurança curdas, conhecidas como "peshmergas", não vão se retirar das zonas disputadas que controlam agora após a fuga do Exército iraquiano, como é o caso de Kirkuk.

O artigo 140 da Carta Magna estipula um plebiscito em Kirkuk sobre sua incorporação à região do Curdistão, que deveria ter sido realizado em 2007, mas que as divergências políticas atrasaram.

"A situação no Iraque não será como era antes dos eventos de Mossul (segunda cidade do Iraque, em mãos da insurgência sunita desde há um mês)", lamentou Barzani, que atribuiu ao governo de Maliki a responsabilidade do sucedido.

O conflito iraquiano adquiriu uma nova dimensão no domingo passado com a proclamação por parte do radical Estado Islâmico de um califado que abrange desde a província síria de Aleppo ao iraquiano de Diyala.

Os jihadistas tomaram o controle hoje de uma vasta zona da província síria de Deir ez Zor, fronteiriça com o Iraque, após a retirada das brigadas rebeldes rivais, algumas das quais se uniram a suas fileiras. EFE