Presidente da Anvisa afirma que falas de Bolsonaro incentivaram ameaças à agência, diz jornal

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BRASÍLIA — O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, afirmou que posicionamentos do presidente Jair Bolsonaro (PL) contrários à vacinação de crianças dão força a grupos antivacina e podem ter estimulado ameaças à vida de funcionários da agência reguladora. As declarações de Barra Torres foram dadas em entrevista à "Folha de S.Paulo".

Trabalhadores da Anvisa têm recebido ameaças “tanto de morte quanto de perseguições, humilhações, violências e agressões", listou o presidente da Anvisa. Ele afirma que a situação gera uma “sensação de desamparo” nos funcionários da agência.

— Nota-se que são pessoas que querem fazer crer que a Anvisa é a única responsável por uma ação que não é dela, que é vacinar pessoas. Quem efetivamente decide incorporar ao sistema de saúde é o Ministério da Saúde. [...] É uma sensação preocupante por não haver a proteção policial até o presente momento, preocupante por identificar o cenário potencialmente perigoso [variante Ômicron] e preocupante por não ver o foco no enfrentamento de um cenário provavelmente adverso para o ano de 2022 — disse Barra Torres em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Barra Torres declarou não ter dúvidas que as falas do presidente colaboraram para o aumento no número de ameaças sofridas pelos servidores da Anvisa.

O presidente da Anvisa se refere a episódios como o que Bolsonaro defendeu a divulgação pública dos nomes dos servidores do órgão responsáveis pela liberação da vacinação infantil contra a Covid-19, autorizada a pessoas entre 5 e 11 anos.

— Eu, particularmente, não tenho dúvida que as duas falas (do presidente) contribuíram sobremaneira para o número aproximado de 170 ameaças. Entendo que isso somou um novo problema gravíssimo, gravíssimo, à questão vacinal no país.

O chefe da Anvisa também considerou inapropriado a consulta pública que está sendo realizada pelo Ministério da Saúde (MS) para decidir sobre a liberação da vacinação de crianças.

— A consulta pública é uma dessas medidas que não foi elencada antes, quando tratamos do mesmo fabricante e quando tratamos da vacinação para adultos. Então é uma medida que não guarda precedentes na história recente, não guarda precedentes no enfrentamento da pandemia e que está levando, inexoravelmente, a um gasto de tempo, tendo em vista que a nossa análise já foi concluída — declarou.

Vale lembrar que a Anvisa aprovou o imunizante da Pfizer para crianças no dia 16 de dezembro, mas o governo ainda não iniciou a campanha de vacinação para o grupo.

Barra Tores também comentou sobre a proposta do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de cobrar prescrição médica para realizar a imunização.

— Não há ação também do regulador ou da agência reguladora dessa ferramenta adicional que o ministro Queiroga pontuou que seria de um receituário médico para a vacina. Quando uma vacina é incorporada no Programa Nacional de Imunizações, o prescritor é o Ministério da Saúde, como assim foi em todas as outras vacinas na história da vacinação no Brasil. Estamos agora diante de uma ferramenta nova, que vem recebendo críticas de todas as sociedades médicas brasileiras. [...] E agora, qual será o plano do SUS para o atendimento de pais, mães responsáveis que estarão lá nos organismos do SUS, nos hospitais, nas UPAS, solicitando a receita para a vacina?

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