Presidente da Anvisa defende vacinação contra Covid-19

Por Ricardo Brito
·2 minuto de leitura
Presidente Jair Bolsonaro e diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres
Presidente Jair Bolsonaro e diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres

O diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, defendeu nesta sexta-feira que a população tome a vacine contra Covid-19 quando estiver à disposição, e destacou que também tomará o imunizante se houver orientação de cientistas, uma vez que já teve a doença causada pelo novo coronavírus.

Em audiência pública da comissão mista do Congresso que acompanha medidas adotadas para o enfrentamento da pandemia, Barra Torres disse que tem coragem de tomar qualquer vacina que a própria agência vier futuramente a liberar.

"Portanto, sobre a coragem para tomar a vacina a que a própria Anvisa, onde eu trabalho, der a sua chancela --que venha dos institutos Fiocruz, Butantan, Pfizer, Janssen, Johnson & Johnson, ou a vacina russa, ou qualquer outra que tenha registro feito na Anvisa--, a resposta é um estrondoso sim", disse.

Leia também

O diretor-presidente da agência reguladora afirmou que vai "deixar isso para os cientistas e humildemente seguirei a orientação deles" sobre tomar o não o imunizante, uma vez que já teve a Covid-19.

"Se, no final, o entendimento for de quem já teve pode se vacinar, estarei me vacinando, sem nenhum problema. Seria realmente uma grande incoerência minha se assim não fosse. Com 56 anos, não é a hora de eu começar a ser incoerente", frisou.

Barras Torres e o diretor do Butantan, Dimas Covas, foram chamados para falar com os parlamentares após a polêmica em torno da suspensão temporária dos testes da CoronaVac nesta semana.

O dirigente da Anvisa disse acreditar no trabalho que o órgão está fazendo e externou preocupações sobre o convencimento das pessoas sobre a importância de se vacinar.

“Estamos aqui, o doutor Dimas e eu, prestando os nossos esclarecimentos, a população nos assiste, e esperamos que forme, sim, o seu convencimento da importância de se vacinar, e não só essa... Foi muito bem colocado: os índices preocupantes de adesividade da vacinação antipólio. É importante vacinar, não devemos colocar nenhuma dúvida. O trabalho é feito por instituições centenárias, instituições sérias. Então, população, venha se vacinar, no caso da Covid-19, assim que possível”, defendeu.

Barra Torres não opinou sobre a posição da agência a respeito da obrigatoriedade ou não de protocolos vacinais, mas destacou que, "se não há vacinação, outros eventos não acontecem", e citou proibições de se viajar para o exterior caso determinadas vacinas não tenham sido tomadas.

"Então, essa é uma questão que já existe. Recentemente, foi apontado que os integrantes da atividade militar têm a obrigatoriedade de ter um cronograma vacinal respeitado", disse.

O presidente Jair Bolsonaro é contra a obrigatoriedade da vacinação e também um crítico da CoronaVac, vacina chinesa que está sendo testada no Brasil pelo Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo do desafeto João Doria.

da Reuters, por Ricardo Brito