Presidente da Anvisa lamenta mais de 2 mil mortes por Covid-19: 'não conseguimos virar o jogo a nosso favor'

André de Souza
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BRASÍLIA - O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, lamentou o número de mortes por Covid-19 no Brasil, que, pela primeira vez, ultrapassou a marca de 2 mil em 24 horas. Ele afirmou que houve algumas vitórias nesta quarta-feira, como a sanção de leis que facilitam e aceleram a aquisição de vacinas contra a doença. No mesmo dia, a Anvisa aprovou resoluções regulamentando essas leis. Por outro lado, Barra destacou que o país ainda não conseguiu virar o jogo.

— Começamos o dia com pedido de sanção ao senhor presidente da República. Tivemos na tarde a concretização desse pleito atendido numa cerimônia [de sanção das leis, no Palácio do Planalto] que mostrou uma congregação de forças no combate à pandemia. E chegamos agora, antes que o dia termine, com a regulamentação daquilo que foi aprovado hoje concluída. Seria motivo de alegria, mas ela não vem, porque hoje o Brasil ultrapassa mais de 2.300 mortes nas últimas 24 horas. Então nem mesmo os desafios vencidos, hoje foi dia de vitórias, de vencer barreiras, transpor obstáculos, mas não nos dá maior sentimento de alegria. É triste dizer isso, mas é a realidade — disse Barra, acrescentando:

— É uma corrida que não tem fim. Por mais que façamos isso, vem a sensação de que, no dia de hoje, por mais que tenhamos tentado, não conseguimos efetivamente no dia de hoje virar o jogo a nosso favor. Mas é assim mesmo. Temos que ir até onde é possível, no limite das nossas capacidades e forças.

Na reunião da Diretoria Colegiada (Dicol) da Anvisa, foram aprovadas três propostas. Duas delas para adequar as normas da agência às leis aprovadas pelo Congresso e sancionadas hoje pelo presidente Jair Bolsonaro.

É o caso, por exemplo, da autorização excepcional e temporária para que estados e municípios importem medicamentos e vacinas para Covid-19 que não tenham registro ou autorização para uso emergencial no Brasil. Para isso, será necessário que os produtos tenham sido aprovados por uma agência estrangeira equivalente à Anvisa constante de um lista, e já ter passado no exterior por estudos clínicos de fase 3 com resultados provisórios. Se atendidos esses requisitos, a Anvisa poderá conceder uma autorização excepcional e temporária.

A terceira proposta aprovada atende a pedido do Instituto Butantan, que havia solicitado um prazo adicional até 30 de abril para apresentar resultados de estudos da CoronaVac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac.