Presidente da Argentina evoca na ONU ataque fracassado contra Kirchner

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, evocou nesta terça-feira (20) perante a Assembleia Geral das Nações Unidas o atentado fracassado contra sua vice Cristina Kirchner, e garantiu que a sociedade argentina será capaz de manter o consenso democrático, longe da violência política.

"Os magnicídios foram prólogos de grandes tragédias", afirmou Fernández, referindo-se ao ataque sofrido em 1º de setembro por Kirchner, que teve uma arma apontada por um homem para sua cabeça que, apesar de ter sido acionada duas vezes, não disparou.

Ao agradecer a solidariedade internacional recebida, o presidente sustentou que o atentado "não só afetou a tranquilidade pública, mas também tentou alterar uma virtuosa construção: a democracia recuperada em 1983, há quase 40 anos".

"Nós, argentinos, construímos o acordo de 'Nunca Mais' ao terrorismo de Estado e à violência política. Tenho certeza de que não conseguirão mudar o amplo consenso da sociedade argentina", enfatizou Fernández, denunciando que "aqueles que buscam enfraquecer e corroer as democracias têm interesses específicos que os levam a promover uma polarização extrema".

Quatro pessoas foram presas até o momento pelo ataque à vice-presidente, aparentemente preparado por dias.

Em seu discurso, Fernández também citou a questão da segurança alimentar, sobre a qual se realizou também nesta terça uma reunião ministerial à margem da Assembleia Geral.

"A segurança alimentar deve ser garantida para todos os habitantes do planeta, não podemos passar por este momento de fome. A Argentina cumprirá seu papel de fornecedor confiável de alimentos saudáveis e também de tecnologia de produção de alimentos", declarou o presidente.

A Argentina é um dos principais produtores de cereais e carne bovina do mundo.

Embora não o tenha nomeado diretamente, Fernández, por fim, se referiu aos Estados Unidos para rejeitar as sanções contra Cuba e Venezuela.

"Quero chamar a atenção para o uso de medidas unilaterais de coerção. A Argentina se soma às reivindicações de Cuba e Venezuela para que sejam levantados os bloqueios que essas nações sofrem", disse.

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