Presidente da B3 descarta bolha na Bolsa e projeta novas aberturas de capital em 2021

O Globo
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SÃO PAULO —Depois de 27 estreias na B3 este ano, o ano de 2021 deve manter o ciclo de ofertas iniciais de ações (IPOs na sigla em inglês) no Brasil. O presidente-executivo da B3, Gilson Finkelsztain, disse que a expectativa de vacinação em massa contra a Covid-19, a injeção de recursos feita pelos bancos centrais, o juro baixo e a inflação controlada trazem a perspectiva de crescimento da economia, com aumento do número de negócios. Ontem, a Bolsa recuperou as perdas do ano e bateu em 116 mil pontos.

— A perspectiva dos mercados globais pela vacinação em massa, aliada a uma injeção de liquidez financeira, traz perspectiva de crescimento de empregos e de negócios. Se no Brasil houver clareza na agenda do governo para manter a inflação baixa e priorização das reformas e das privatizações, o otimismo do mercado vai se materializar em 2021 - disse Finkelsztain durante coletiva online, em que os números da B3 foram apresentados.

Finkelsztain afirmou que em 2019, a média de negociações por dia foi de 4 milhões de negócios,considerando mercado à vista e derivativos. Este ano, por quatro vezes, a média de negócios chegou a 12 milhões, a última delas em novembro. Ou seja, triplicou o número de negociações. A B3 começou o ano esperando uma taxa de juros entre 5% e 6% para 2020, mas a queda da Selic para 2%, o menor patamar histórico, gestores e novos investidores acabaram buscando os ativos de risco.

— Os juros brasileiros chegaram a um patamar que jamais poderíamos imaginar. Só este ano, foram 1,5 milhão de novos investidores pessoas física. A facilidade trazida pelas plataformas de investimento e um investidor mais jovem (com menos de 40 anos), com menos aversão ao risco, foram ao lado dos juros baixos os fatores que beneficiaram os negócios na Bolsa - disse o presidente da B3.

Os lançamentos de ações, considerando ofertas iniciais e os chamados follow ons (em que empresas que já estão listada oferecem mais ações) foram captados R$ 112 bilhões. Além dos 27 IPOs, aconteceram 23 follow ons. O presidente da B3 lembra que houve IPOs que captaram bilhões, mas empresas médias também abriram capital na Bolsa este ano.