Presidente da Bolívia pede investigação de suposta doação de narcotraficantes a seu partido

O presidente da Bolívia, Luis Arce, pediu ao Ministério da Justiça que investigue as denúncias sobre o suposto recebimento de fundos econômicos de um argentino acusado de tráfico de drogas ao partido governista Movimento ao Socialismo (MAS), informou o ministro Iván Lima nesta terça-feira.

— O presidente [Luis] Arce encaminhou a questão para o Ministério da Justiça. O Vice-Ministério da Transparência abriu um caso e abriu uma investigação sobre esse aspecto — afirmou. — Como Ministério da Justiça, recebemos o mandato do presidente e do vice-presidente para investigar, esclarecer e dar respostas ao povo boliviano sobre esta questão, que de forma alguma pode ficar sem investigação e sem respostas ao nosso povo.

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Lima deu a informação em entrevista ao canal privado Unitel, que o questionou sobre as denúncias feitas na semana passada pelo deputado governista Rolando Cuéllar contra o vice-presidente de seu partido, Gerardo García.

Segundo Cuéllar, García agradeceu a "Miguel Ángel Salazar Yavi" em uma carta em janeiro de 2017, por "suas grandes contribuições econômicas" desde 2014. Ainda de acordo com o deputado, "Miguel Ángel Salazar Yavi" era na verdade o argentino José Miguel Farfán, preso na Bolívia em 2019 e entregue ao seu país, onde era procurado por tráfico de drogas.

García entrou com uma ação criminal contra Cuéllar na terça-feira por calúnia e difamação. A oposição, ao saber da denúncia de Cuéllar, pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a abertura de uma investigação sobre o caso.

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Os opositores consideram que, se comprovada a contribuição irregular de recursos econômicos, o TSE deveria anular a personalidade jurídica do MAS, o que o impediria de participar de eleições nacionais, departamentais ou municipais.

As relações entre o MAS, liderado pelo ex-presidente Evo Morales (2009-2019), e o governo são tensas por conta de divergências políticas e lutas por espaços de poder.

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