Presidente da Câmara dos Deputados italiana buscará uma saída para a crise política

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O presidente da Câmara dos Deputados, Roberto Fico, encontra-se com a mídia no palácio do Quirinale, em Roma, em 29 de janeiro de 2021

O presidente da Câmara dos Deputados italiana, Roberto Fico, considerado um mediador, foi nomeado nesta sexta-feira (29) para averiguar se o parlamento tem maioria para nomear um novo primeiro-ministro ou confirmar o renunciante Giuseppe Conte.

Fico, de 46 anos, no cargo desde março de 2018, é membro da ala mais à esquerda do anti-sistema Movimiento 5 Estrellas (M5E).

O parlamentar foi nomeado pelo Presidente da República, Sergio Mattarella, árbitro da situação prevista na Constituição, após três dias de consultas a todas as forças políticas.

O político tem até terça-feira para encontrar uma saída para a crise na Itália após a renúncia do primeiro-ministro Giuseppe Conte.

O chefe de governo perdeu o apoio do pequeno mas importante partido Italia Viva (IV) do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, cujos votos no Senado são essenciais para sobreviver.

O chefe de governo perdeu o apoio do pequeno mas importante partido Italia Viva (IV) do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, cujos votos no Senado são essenciais.

"A Itália não pode perder tempo diante das três emergências que vive: saúde, social e econômica", advertiu Mattarella.

"Obrigado pela confiança", limitou-se a declarar Fico, a quem cabe a responsabilidade de encontrar uma solução para a delicada crise em meio à pandemia que atinge o país e que já custou a vida a mais de 87.000 pessoas.

- Os frutos da estratégia de Renzi -

A estratégia de Renzi, cujo partido não atinge 3% das intenções de voto, aparentemente deu certo e as duas maiores forças da coalizão de governo, o M5E e o Partido Democrático (PD) de esquerda, não têm escolha a não ser negociar, apesar da passagem dos vetos.

"Cumpriremos os conteúdos de trabalho: vacinas, escola, trabalho e obviamente o 'Recovery Plan' (plano com fundos da União Europeia para a reconstrução do país), que são as prioridades com que o país está a jogar o seu futuro", reagiu Renzi no Facebook após a nomeação de Fico.

O Movimento 5 estrelas endossa sem hesitação a nomeação pela terceira vez de Giuseppe Conte para um terceiro mandato, como uma saída para a complexa crise.

Ao mesmo tempo, eles abriram oficialmente as portas para negociações com Renzi, uma espécie de reconciliação que custou fortes reações internas.

Para o Movimento 5 Estrelas, "a única pessoa capaz de liderar o país com seriedade e eficiência" é Giuseppe Conte, o líder do partido, Vito Crimi, alertou novamente nesta sexta-feira.

A reconciliação com Renzi é complexa, mas necessária, já que as contas não somam sem seu apoio no Senado para formar um terceiro governo, liderado ou não por Conte.

Renzi, que complicou a situação na véspera ao "congelar", como escreveram os jornais italianos, o nome de Giusseppe Conte à frente de um novo governo, tem a situação sob controle e pode exigir maior representação, mais ministros, no eventual novo executivo.

Ainda não se sabe se aceitará um terceiro mandato de Conte, no poder desde 2018, ou se tem outro candidato.

"O irresponsável Renzi conseguiu o milagre de que os anti-sistemas são responsáveis por um país em meio à pandemia e com graves problemas econômicos", comentou à televisão a romancista Michela Muegia.

Por sua vez, a oposição de direita e extrema-direita, que reúne a Fuerza Italia de Silvio Berlusconi, a Liga de Matteo Salvini e os Irmãos da Itália de Giorgia Meloni, exigiu novamente eleições antecipadas.

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