Presidente da Capes diz, em entrevista exclusiva, que demissão coletiva é ‘insurgência' e 'deserção’

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BRASÍLIA - Após as turbulências que culminaram com o pedido de exoneração de 114 pesquisadores, Cláudia Toledo, presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), instituição responsável pela qualidade da pós-graduação no Brasil, garante ter condições de governabilidade, ao contrário do que seus opositores acreditam. Ela chama de “insurgência” uma das piores crises do órgão e desmente as acusações de que houve pressões internas para mudar o sistema de avaliação dos cursos de mestrado e doutorado ou para ampliar o ensino a distância. Oriunda do setor privado, Cláudia Toledo rebate as insinuações de que faz uma gestão que beneficiaria as universidades privadas. “Há 40 universidades sob risco de não serem recredenciadas porque não atendem ao requisito da lei que é ter quatro mestrados e dois doutorados”, dispara ela, há oito meses no cargo.

Nas últimas semanas, mais de 100 pesquisadores deixaram a Capes com críticas à sua presidência. Como a senhora classifica essa situação?

Quem saiu da Capes? Quatro coordenadores de área: física, química, matemática e engenharia III. Eles são eleitos por todos os programas de pós-graduação. Das 49 áreas, saíram coordenadores de quatro. Eles saem num momento de somatório de fatores. Depois de trabalharem na avaliação por quase quatro anos, fazendo reuniões mensais de fichas de avaliação, discutindo critérios e indicadores, eles foram confrontados por algo muito forte. Uma ação civil pública que questiona a licitude da avaliação. Fiquei num nível enorme de desgaste e imagino quem está fazendo a avaliação. A AGU fez a defesa, e a liminar caiu depois de 70 dias. Só que foram 70 dias que pareceram 70 anos. Isso desgastou. Esse tempo gerou desconfianças injustas de que a presidência não está se empenhando, a AGU está demorando. Só que foram críticas de superfície. Não há fatos, são suposições. Eu vejo como um ato de insurgência, como algo que poderia ter sido evitado.

Mas, em cartas e até em entrevistas, pesquisadores fizeram críticas à senhora e reclamaram de falta de diálogo.

Eu nunca tive dificuldade de diálogo com os coordenadores. Desde que assumi, sou muito cuidadosa com as expressões. Eu não convoco, eu convido. Agora, é diálogo, não é monólogo. A presidência não pode ser subserviente. A presidência precisa ser construtora de pontes entre os interesses da instituição, da academia e as convicções dos pesquisadores. Eu não acho que é pessoal. Há narrativas equivocadas falando sobre demora, sobre descaso. A maior interessada no andamento da avaliação sou eu. Em 15 de abril, fiz uma carta de compromisso de defesa da avaliação. Parece até que eu estava adivinhando que, sete meses depois, ia ter um questionamento sobre isso. É uma narrativa equivocada, injusta e mentirosa. É uma mentira dizer que eu não tenho compromisso ou fui leniente.

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