Presidente da Cedae afirma que lantânio utilizado para diminuir geosmina na água da lagoa do Guandu não é tóxico

Gilberto Porcidonio e TV Globo
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RIO — O presidente da Cedae Eder Fernandes afirmou, em entrevista ao telejornal RJ1 nesta quarta-feira, que o lantânio, um metal pesado que está contido nas 190 toneladas da argila modificada, o Phoslock, utilizada para reduzir a geosmina na água, não é uma substância tóxica. Eder disse que, antes de fazer a licitação para o uso da substância, a companhia fez uma avaliação técnica em que encontrou dezenas de artigos científicos sobre a aplicação do produto em meios aquáticos e que, ao contrário do estudo da Coppe/UFRJ que comprova a alta toxicidade do produto e dos estudos internacionais que o relacionam a problemas no fígado, malformações congênitas no lábio e no palato e danos à fertilidade, que não foi encontrado nenhum relato sobre isso.

— Já foi dito pela empresa que aplica que o lantânio não é um metal pesado. Nós estamos aplicando em dosagens baixíssimas na lagoa e nós não captamos água da lagoa, mas no Rio Guandu. Se faz uma confusão muito grande com a concentração de metais pesados. A Cedae garante que a água tratada que está sendo fornecida à população é uma água sem contaminantes. A afirmação de um professor que diz que a água está contaminada sem estudos e sem análise da qualidade da água é irresponsabilidade demais – afirmou Eder.

Sobre o problema da alta incidência de geosmina na água que a companhia não consegue resolver desde o ano passado, Eder disse que o segmento operacional de descarga que foi realizado na madrugada desta quarta-feira pode ser realizado quantas vezes forem necessárias.

— É um procedimento escrito em um plano de contingência a diversas mãos pelo Comitê Guandu, Secretaria do Meio Ambiente, Inea, Cedae, empresas de consultoria... Usamos pouco porque para ele é preciso parar a estação e a população fica sem água. Isso é para atuar na causa da geosmina, ou seja, aonde está havendo proliferação de cianobactérias. Está sendo, sim, exitosa as ações porque estamos conseguindo diminuir a quantidade de bactérias no lago. Na estação de tratamento, nós estamos usando o carvão ativado para diminuir a concentração de geosmina e está diminuindo. Se você verificar as análises deste ano em relação ao ano passado, vai ver que estão dando padrões muito mais baixos. No mês passado, a OMS divulgou um novo relato sobre a geosmina que conta que, em quatro partes pro trilhão, é possível o olfato humano detectar a geosmina. Então nós estamos conseguindo sim reduzir, mas ainda sim é possível perceberem concentrações baixas.

O presidente da empresa também afirmou, quanto ao desconto na conta de água por conta da irregularidade da qualidade da água fornecida à população, que as pessoas tiveram esse valor deduzido no fornecimento e que a empresa está informando que a água com geosmina pode ser consumida.

— Nós entendemos perfeitamente que não é confortável beber uma água com gosto e odor e, por isso, estamos relatando todas essas ações que a Cedae tem relatando. A Cedae está aberta a discutir qualquer questão com questão ao ressarcimento.

Nesta terça-feira, o Ministério Público do Estado (MP-RJ) e a Defensoria Pública do Estado (DPE-RJ) obtiveram decisão para que a Cedae apresente, em até três dias, dados qualitativos sobre as reclamações de consumidores via ouvidorias que relatam a falta d’água e/ou a desconformidade dos seus padrões de potabilidade no município. O período compreendido é desde a retomada da operação das elevatórias do Lameirão em 21 de dezembro do ano passado até o atual. Também foi solicitado o credenciamento e habilitação do laboratório utilizado pela Companhia que monitora o gosto e o odor da água fornecida. Sobre a questão, Eder afirmou que as respostas serão dadas ao MP no tempo e na hora definidos:

— A portaria que define os padrões de potabilidade de água também define a periodicidade de análise e as exigências para os laboratórios que fazem essas análises, que tenham um processo de gestão de qualidade, não é obrigatório a certificação. um dos laboratórios tem a certificação para um dos parâmetros, já o outro não tem mas está habilitado porque tem uma gestão de qualidade implantada e é isso o que exige a legislação. Nós estamos cumprindo o que a legislação nos exige.