Presidente da Cedae diz beber água da torneira e que, na casa dele, ela chega sem cheiro e gosto

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Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

O presidentes da Cedae, Edes Fernandes de Oliveira, afirmou, nesta terça-feira, que bebe água da torneira. A declaração foi feita durante entrevista ao "Bom Dia Rio", da TV Globo. Edes disse confiar "plenamente" nos técnicos da companhia e alegou que sentir gosto e cheiro de terra na água depende da percepção olfativa de cada pessoa. E também destacou que todas as providências tomadas pela Cedae estão dando certo já que os valores de geosmina na água, hoje, segundo ele, são cem vezes menores que no passado.

— Eu bebo água da torneira. Eu confio plenamente nos técnicos da Cedae, na Estação de Tratamento do Guandu. Fui gerente da Estação do Guandu, sei o trabalho que se realiza lá. Para mim, na minha região, não está chegando água com gosto e odor. Vocês devem estar percebendo que algumas regiões estão reclamando e outras, não. Isso é muito da percepção. Porque cada um tem uma percepção olfativa diferente — disse.

Edes garantiu que não há risco para a saúde de quem consumir a água com gosto e cheiro, mas alertou que coloração alterada é outro tipo de problema, que tem que ser identificado:

— Não há nenhum problema com relação à saúde, a população pode consumir essa água. Evidentemente a gente está falando da água com gosto e cheiro de terra. Não estou falando da água que está com coloração forte. Essas pessoas precisam procurar a Cedae para a gente identificar qual é o problema: se é um problema interno da residência ou se é um problema da rede. Mas quanto ao gosto e odor, quanto à geosmina, não há qualquer problema com relação à saúde. É bem importante a gente frisar isso, embora haja muita contestação disso. E a gente sabe que as pessoas no Rio de Janeiro não estão acostumadas a beber água com gosto e odor, por isso essa repulsa.

O presidente da Cedae ressaltou que alteração na coloração da água não tem relação com a presença de geosmina.

— É importante, nesse momento, frisar o seguinte: as pessoas que estão tendo um problema de cor, coloração na água, aquela água barrenta que chega, nada tem a ver com a geosmina. Absolutamente nada. Então, esses não são casos pulverizados. São casos isolados. São dois problemas diferentes que não se coadunam. A geosmina é uma substância incolor, que não causa nenhuma coloração na água — afirmou.

Sobre o monitoramento da água — o último, relativo a gosto e odor, disponibilizado no site da Cedae é de 25 de janeiro passado —, Edes disse que ele continua sendo realizado e que novos dados serão divulgados:

— Estamos monitorando, sim. A gente espera que hoje a gente receba os resultados desses últimos dias. A gente tem um delay entre o dia da amostragem e o dia do resultado: da análise para gosto e odor entre quatro e cinco dias e, para a geosmina, entre cinco e sete dias. Estamos tentando diminuir esse prazo para que a gente possa atualizar com mais rapidez essas informações.

Quanto ao prazo dado para a normalização das condições da água — na semana passada Edes tinha dito que tudo se resolveria no fim de semana —, ele negou que algo tenha dado errado, mesmo com muitos moradores ainda se queixarem de estarem recebendo água com gosto e cheiro fortes.

— Não deu nada errado. Como falei, os resultados obtidos - e eles também estão divulgados - se forem analisar vão ver que os valores (de geosmina) são baixíssimos. Na verdade, o que a gente está percebendo é que esses valores, mesmo baixos, são perceptíveis pelo olfato humano — ressaltou.