Presidente da CPI da Covid diz que Pazuello pode ser convocado a dar novo depoimento

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BRASÍLIA - O presidente da CPI da Covid-19 no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou neste sábado que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello deve ser reconvocado a prestar um novo depoimento sobre as ações e omissões do governo federal na condução da pandemia. Para o senador, o general mentiu ao dizer que a declaração "um manda e o outro obedece" foi apenas uma "brincadeira de internet".

– Ele (Pazuello) estava com um habeas corpus debaixo do braço, que permitia que ele falasse o que ele quisesse, que nada poderia acontecer com ele. Por isso que ele está sendo reconvocado, vai ser reconvocado na quarta-feira – disse Aziz em uma entrevista ao Grupo Prerrogativas transmitida pela internet.

O presidente da CPI disse ainda esperar, nesta nova convocação, não contar com a "ingerência do Supremo Tribunal Federal nessa questão". "Até porque, se o ministro Lewandowski assistiu, ele vai pensar que não pode dar um habeas corpus para ele (Pazuello) mentir", afirmou. Pazuello falou à CPI na última quarta-feira.

Aziz fez referência à decisão do ministro Ricardo Lewandowski que autorizou o ex-ministro da Saúde a ficar em silêncio quando perguntado sobre as questões relativas à sua atuação na crise do oxigênio no Amazonas – objeto de um inquérito aberto pelo Ministério Público Federal contra ele.

O ministro do STF entendeu que Pazuello, por ser investigado, tem o direito de não se autoincriminar, mas entendeu que ele, na condição de testemunha, não pode se calar e tem o compromisso de falar a verdade em relação a terceiros, como o presidente Jair Bolsonaro.

– O Pazuello foi lá e defendeu Bolsonaro como se estivesse defendendo o filho dele. Talvez um pai não mentisse tanto pelo filho como o Pazuello mentiu pelo Bolsonaro – disse o presidente da CPI.

O requerimento para pedir a presença do general novamente na comissão foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira nesta sexta-feira e será analisado na sessão de quarta-feira da CPI. Ao pedir o depoimento, o senador disse que a sabatina do ex-ministro foi marcada por "diversas contradições".

Além do pedido para ouvir Pazuello novamente, Aziz disse na conversa com os advogados que há um requerimento para convocar o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) para a CPI que também será analisado na quarta-feira.

Ainda na live, o presidente da CPI disse que Jair Bolsonaro queria que o ex-chefe da Secretaria de Comunicação, Fabio Wajngarten, fosse preso em seu depoimento, para que os trabalhos de apuração perdessem o crédito.

– Eu sei por que a raiva dele (Bolsonaro). Porque ele queria que eu prendesse o Wajngarten e acabasse a CPI naquele dia. Mas eu não caí naquela piadinha não, então eu sei que ele está com raiva por causa disso – afirmou.