Presidente da CPI das Fake News pede convocação de depoente que atacou jornalista

Isabella Macedo e Amanda Almeida
Hans River em depoimento na CPMI das Fake News - Foto: Jane de Araújo/Agência Senado

O senador Ângelo Coronel (PSD-BA), presidente da CPI das Fake News, apresentou um novo requerimento para convocar Hans River do Nascimento, ex-funcionário de uma empresa que fez disparos em massa pelo WhatsApp nas eleições de 2018. Além do presidente da comissão, o deputado Túlio Gadêlha (PDT-PE), que é integrante da comissão, também apresentou um requerimento para convocar Hans River. Por presidir o colegiado, Coronel é o responsável pela pauta da CPI.

O ex-funcionário da empresa prestou depoimento à CPI na última terça-feira. Nas declarações, ele mentiu e ofendeu a jornalista Patrícia Campos Mello, do jornal "Folha de S. Paulo", autora de reportagens sobre os envios de mensagens. O jornal desmentiu as declarações de Hans River.

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Ao GLOBO, o senador disse que é necessário esclarecer os fatos.

– Precisamos apurar se mentiu. Foi muito covarde – afirmou nesta tarde.

Na justificativa da nova convocação, o presidente do colegiado apontou que uma nova vinda de Hans River é fundamental para esclarecer os fatos. “Como Comissão de Inquérito, a CPMI das Fake News precisa zelar pelas informações prestadas por aqueles que são convocados ou convidados, bem como precisa ter fundamentos consistentes para a elaboração de um relatório final imparcial e sólido. Diante do exposto, acreditamos ser de fundamental importância para os trabalhos desta CPMI ouvir novamente o depoimento do acima nominado”, justifica o presidente da comissão.

Hans River do Nascimento foi convocado a prestar depoimento pela primeira vez para falar sobre a reportagem escrita por Patrícia noticiando que empresas contrataram o envio em massa de mensagens via WhatsApp com conteúdo crítico à candidatura do PT. A Yacows teria explorado comercialmente a prática. Ele negou ter repassado informações à repórter durante a eleição de 2018, o que foi desmentido pelo jornal, que exibiu documentos e mensagens das conversas entre os dois.

Gadêlha, que também subscreve uma representação contra Hans River encaminhada hoje à Procuradoria-Geral da República (PGR) pela relatora da comissão, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), diz em seu requerimento que, “diante da gravidade dos novos fatos” de que o depoente mentiu, é necessário ouvi-lo novamente para que ele esclareça “inconsistências”.

Convocação do PSL

Outro requerimento protocolado na CPI é a convocação de Patrícia, apresentado pelo deputado Carlos Jordy (PSL-RJ). O pedido do deputado se apoia no depoimento de Hans River, desmentido pelo jornal. Ângelo Coronel, entretanto, já havia afirmado que faria um convite à jornalista, e que que orientaria sua assessoria a convida-la para um depoimento na comissão na próxima semana. Para Coronel, Patrícia foi vítima de afirmações "covardes" e de "baixo calão".

O convite a uma pessoa para depor na CPI pode ser recusado, ao contrário da convocação, em que o depoente é obrigado a vir responder questionamentos dos congressistas.