Presidente da Firjan pede a Bolsonaro R$ 22 bi em investimentos no Rio até 2026

Daniel Gullino e Jussara Soares

BRASÍLIA — O presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eugênio Gouvêa Vieira, reuniu-se nesta quinta-feira com o presidente Jair Bolsonaro para pedir R$ 22 bilhões em investimentos no estado, especialmente para a Baixada Fluminense. Gouvêa apresentou um estudo que aponta que o Rio precisa investir R$ 40 bilhões até 2026 em saneamento básico, mobilidade urbana, educação infantil, habitação e segurança pública, mas disse que o estado só será capaz de pagar R$ 18 bilhões, devido a restrições impostas pelo Regime de Recuperação Fiscal.

Gouvêa ressaltou o fato de o Rio de Janeiro não ter recebido nenhuma compensação por ter deixado de ser a capital do país, em 1960, como um da razões para o recebimento de ajuda do governo federal. Ele foi acompanhado de cerca de 40 empresários do Rio.

— Estamos recordando ao presidente da República esse fato histórico, esse drama que a população está passando, e advogando que entre 2020 e 2026, nós vamos precisar nessa região perto de 40 bilhões de reais de investimento, e o estado do Rio no máximo vai poder investir em torno de 18 (bilhões) — disse o presidente da Firjan, acrescentando depois: — O que nós viemos ponderar é que nos investimentos globais nessas matérias do Brasil, que se olhe o Rio, não como privilégio, mas como uma alocação de recursos equivalente não apenas a esse desassistimento social, mas também um pouco pelo período histórico.

"Diante do exposto, reforça-se a necessidade de compensação ao estado do Rio de Janeiro, pelo fato de ter perdido a capital do país, sem ao menos ter para si um plano de desenvolvimento que gradualmente incorporasse as recomposições necessárias. É impossível analisar a crise financeira que atinge o estado sem considerar todo seu passado histórico, considerando as disparidades regionais que são reflexo da perda da condição de capital do país, e do processo de fusão do Estado da Guanabara", diz um trecho do documento apresentado a Bolsonaro.

Questionado sobre o atual conflito entre Bolsonaro e o governador do Rio,, Wilson Witzel, Gouvêa afirmou que a briga não pode interferir na atuação dos governos federal e estadual. Witzel pediu recentemente uma audiência com Bolsonaro, mas ainda não houve resposta.

— Nós temos, e eu quero frisar muito bem, 70% da população do Rio com esse problema (na Baixada Fluminense). Não é possível que fiquemos apenas no problema do relacionamento pessoal e não nos dediquemos a um drama.

De acordo com ele, Bolsonaro foi "muito simpático" à sugestão:

— Foi a primeira vez que ele tomou conhecimento disso. Evidentemente que ele vai conversar com a equipe de governo. Foi muito simpático à ideia. Vamos ver agora como podemos equacionar o assunto. Nós estamos falando de um programa de longo prazo, mas não podemos esquecer, independente do governo que estiver aqui ou no Rio, não podemos esquecer dessa massa gigantesca da Baixada Fluminense (passando necessidade), achando que aquilo faz parte da vida.